
Qualquer um que tenha ou já teve um cachorro é privilegiado.
Isso significa ter sido amado e idolatrado, salve, salve!
Incondicionalmente amado: com mau hálito, despenteado, bravo, chorando, pagando mico ou posando de herói.
Dono de cachorro (na verdade, eles é que são nossos donos) é
O Cara!
Quem nunca descreveu seu cachorro: Só falta falar!
Pois a Fulô, essa coisinha aí da foto, não falta. Ela fala mesmo! Bate longos papos com a gente. Meio uivo, meio latido, ainda vou aprender essa língua. Ela já aprendeu a nossa: toma e passear são as suas palavras favoritas.
Quando a Isabela começou a ensinar alguns truques (senta, deita, rola) ela só faltou cantar o hino nacional: faz qualquer coisa por um petisco - inclusive sentar, deitar e rolar, tudo junto e ao mesmo tempo. Aprendeu também o idioma dos objetos pois entende direitinho o que significa o barulho de afiar a faca, de pegar a tábua de carne (será por que?) e de pegar a coleira.
O mais impressionante é a total ausência de censura. Ela não tá nem aí... arrota, lambe, enfia a cara por todo lugar. Atropela o gato, voa no pescoço do Fritz (seu marido), pula no colo da gente, deita na cama, arranha a perna de quem está sentado comendo... Educação, zero. Em compensação, é companhia para todas as horas,minutos e segundas (intenções).
Preguiça nula. Se eu levantar 347 vezes de onde estiver sentada ela levanta junto e me acompanha. Nem adianta falar que eu não demoro... ela não se importa.
Adora dar susto na gente! E enganar o Fritz. Finge que escuta alguma coisa muito importante, late, sai correndo e o bobo vai atrás. É pura mentira... eu chego a ver seu riso de deboche.
Uma veterinária chegou a comentar que nunca tinha conhecido cachorra mais feliz.
Ela não percebeu que felizes somos nós, que convivemos com tamanha ternura!

O Fritz, é de outra natureza. Nós o encontramos na rua. Uma sujeira tremenda... Ele nos escolheu. Entrou na nossa vida meio por acaso. Parece que está sempre pedindo licença e desculpa. Um anjo com quatro patas, peludo e humilde. Detesta o Ferdinando, mas não reage nem quando o danado do gato bate nele. Sabe que eu não aprovaria uma agressão. É doce e bonzinho.

O Ferdinando compete com a Fulô em atrevimento. Só que nele tudo é pensado. Um verdadeiro calculista. Ensaia os movimentos e escolhe só os mais elegantes! Pensa se vai aceitar ou não um pedaço de carne... na maioria das vezes, despreza olimpicamente.
- Vê seu eu vou me rebaixar a tanto! Eu como na hora que EU quero...
Mas entrega seu lado carente: vai chegando devagar e deita perto de mim na cama. E dorme... como dorme!
Educado por demais, bebe água com calma, come com calma, mia languidamente.
E a vida aqui em casa vai seguindo. Em ótima companhia.