quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Convite: R.S.V.P.


Para a a casa dos meus sonhos estais convidados.
Chegais bem cedo, a tempo de vos despedirdes do orvalho que da lugar aos raios do sol.
Guardai a bagagem (de nada precisareis além dos sentidos com que vos brindou a natureza), da bica bebei a água pura e fresca e à mesa tomai assento.
Fim do cerimonioso tratamento.


Comeremos o pão ainda sabendo ao calor do forno. Da manteiga mais cremosa o besuntaremos e nos caberá combinar com queijos , geléias translúcidas e apetite autêntico. O café recém torrado e passado imediato.
Prelúdio ideal de um dia perfeito.


O ócio terá lugar no gramado, na cachoeira cantante e nas conversas animadas no jardim.
Mas com nostalgia e alma leve, pode por as mãos em obra quem quiser se ocupar de conversar com a terra e trocar segredos de plantio, germinação e colheita. Ensejo haverá também para quem queira lidar com as criaturas que mugem, relincham, latem, grunhem ou cacarejam.


Minha casa é plena de bicharada, verdura e "frutuosidade"!


Quem se alegrar com música, quem quiser se jogar na faina das panelas, quem gostar de se jogar nos... jogos, apreciar a natureza, passeios sem destino, aproveite: esse dia é consagrado ao deleite.


Permeando tudo, a comunhão.
Entre nós e o mundo. Entre mim e vós.
Entrementes, as boas lembranças.
Dos que se foram e dos que permanecem, mesmo mudados.
Enquanto isso, a aspiração veemente do que há de vir digno, sábio, pacífico e venturoso.


Novamente a mesa posta: A água, o vinho e a massa envolvida em rubro molho + as risadas, as brincadeiras, a alegria compartida + as frutas frescas, cristalizadas ou adoçadas nas compotas aromáticas + a sesta (ou quilo) rematando a comilança.



A tarde nos encontrará recompensados. Estaremos felizes procurando a primeira estrela. Aquela que prenunciará inumeráveis companheiras.



A brisa se unirá ao nosso abraço enlaçando com carinho. Beijará amorosamente cada rosto, como eu.
Ireis contentes. Deixareis a promessa de breve encontro.