domingo, 13 de novembro de 2011

Minha dupla está ficando mais velha!

Se Deus chegasse, um dia, e falasse assim:

- "Preciso de alguém que aceite cuidar de dois seres, feitos de carne e de osso, muito coração e, no início, pouco cérebro. Essas criaturas serão doces e frágeis, farão alguma sujeira e muita bagunça. Precisarão de atenção constante e cuidado permanente. Crescerão muito rápido, no mesmo ritmo em que chegarão a rebeldia e os questinamentos. Nada muito sério, mas pode ser um pouco irritante. Tem que ter calma, mas pulso firme, senão desanda. É importante saber que haverá  conversas, risos, carinho e descobertas. Mas acompanham choros, cara amarrada, preocupação e uma dose caprichada de corpo mole. Muita beleza, muita graça, muita cumplicidade.
Preciso de alguém que queira tanto bem que, às vezes, sentirá falta de ar.
Preciso de alguém totalmente disposta a se entregar e a aprender a conhecer tanto a timidez quanto a confiança; a inteligência e o talento, a ironia e até o mau humor.
Preciso de alguém que queira conviver com o inesperado - e goste disso.
Preciso de alguém que queira  amar profundamente."

Aí, adivinha quem entraria primeiro na fila? E  duas vezes!
 Parabém filhotes!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Exercício de pensar





Temos que cuidar para não construirmos nosso discurso em cima de preconceitos, porque aos preconceitos faltam legitimidade e comprovação. Não podemos usar falsas premissas, pois que essas invalidam a conclusão. Temos que alicerçar nossa construção em fatos. Quantas vezes criamos nossos caminhos, nossas crenças, nossa falas, enfim, nossa vida, sobre inverdades. É como construir sobre bolhas de sabão: quando elas se desfizerem, nada ficará de pé, o que restar é escombro.
Me faz lembrar quando, nos desenhos animados, o personagem vai "escalando" o ar e, de repente, percebe que não tem coisa alguma sob os pés. Na animação é engraçado.
Mas me faz lembrar, também, ocasiões em que se vê o demoronamento de obras, às vezes grandes áreas onde o terreno não tinha substrato suficiente. Aí, não é engraçado mais.
Quando acolhemos os pensamentos, as ideias e os ideais, o componente, emoção, participa regulando a intensidade do nosso apego. Desse componente não se exige muito pois ela já ocupa, naturalmente, nosso caráter ou nossa alma. Mas do elemento, razão, dependerá a matéria-prima das nossas escolhas.
Nesse momento, tudo faz diferença, tudo se deve julgar, todos os cuidados importam.
Importa o exercício de pensar. Não aquele intuitivo, instintivo, mas o pensar embasado no conhecimento, no exercício intelectual, analítico.
Por isso me preocupam os que raciocinam com o fígado, os que digerem o discurso alheio mal intencionado, questionável, mas inquestionado. Atento para o risco da ideologia emprestada sem reflexão e lamento os movimentos provocados pela mais nova modinha.
Quem quer que levante a voz, a própria voz, tenha por garantia a consciência e a honestidade da busca da verdade. Não do preconceito e da discriminação irrefletida.
No entanto, mesmo que venha errada e capengando, que venha a voz despida do ranço do ódio.
Porque quando a bolha estourar, é preferível o ar vazio e  puro, que a destruição do rancor.