quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Incipit Vita Nova!



Clareou. Escureceu. Choveu uma temporada. Secou a outra. Esfriou num período. Esquentou no próximo. Veio a lua nova, a crescente, a cheia e a minguante.
Aí um dia alguém percebeu que tudo se repetia e resolveu marcar estas mudanças.
Chamou isto de Tempo.
Então outro alguém resolveu fatiar o tempo em bocados. Apareceu o calendário, o relógio, os minutos, os dias, meses, anos ...
Expectativas nos amanheceres. Esperanças nas estrelas. Adoração do sol e da lua. Espetáculos de fé.
E as cortinas de um novo show estão prestes a se abrir. Já separamos as roupas brancas, as fitas azuis e as novas lingeries amarelas. Compramos nossas romãs e escolhemos as uvas. As lentilhas estão de molho e as aves que "ciscam para trás" estão a salvo nesses dias. Flores foram colhidas para as oferendas e as bebidas estão a postos esperando a caminha de gelo. Confetes e serpentinas para quem não vai precisar limpar a sujeira. Fogos para espantar os maus espíritos.
Providenciamos tantos detalhes esperando a prosperidade que esquecemos de economizar.
Brigamos na fila do caixa do supermercado onde compramos os balões brancos.
Compramos o Engov para curar a ressaca dos brindes à nossa saúde.
Tudo vale para inaugurar a nova oportunidade do tempo e da vida.
Nesse réveillon esperaremos a mágica de um novo dia ou nos prepararemos para construir um novo tempo?
Por via das dúvidas, marco as duas opções!
Feliz 2011 e Feliz Vida Nova, Pessoal !!!!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A chama que não queima



Desejo a todos um Natal iluminado.
Mas que a luz límpida, purifique. E lave das nossas vidas a soberba, o egoísmo, a vaidade vã, o preconceito, a intolerância.
Que a claridade do saber transborde. E encha nossos dias de humildade, compreensão, contentamento sincero e esperança.
Que a energia fulgurante borbulhe. E sacie nossa sede de justiça, paz, sabedoria legítima e harmonia.
Que a tocha úmida irradie a prosperidade. E satisfaça nossa carência de atenção, humanidade, respeito consciente e perdão.
Que o cálice da vida nos refresque.
Brindemos em nome do absoluto Amor!

Imagem: http://www.graphic-exchange.com

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tudo isso e mais aquilo




Fim de ano.
Época de pinheiros enfeitados, harpa paraguaia, neve isopor, e listas.
E quem sou eu para ser incluída fora dessa?
Portanto, lápis e papel (leia-se, teclado) na mão e vamos aos meus desejos:
- Saúde;
- paciência;
- filhos perto, alegres e carinhosos (tudo bem, é muito, mas tem gente que deseja ganhar na Mega Sena!);
- enxaguante bucal que elimine resíduos, placa, tártaro, manchas e mau-hálito num só bochecho;
- apetite sensato;
- ânimo para praticar atividade física;
- paciência;
- o Tempo desistir de treinar para a maratona;
- ganhar na Mega Sena (não falei?);
- Controle remoto que comande o aquecimento global em slow motion, poluição em fast rewind e justiça em fast forward, pelo menos até aprendermos a nos respeitar e ao nosso planeta;
- trocar o apartamento por uma casa com quintal;
- aprender a dirigir E tirar carteira;
- paciência;
- neurônios poliglotas;
- um notebook;
- paciência (tá bem, eu desisto da Mega Sena!);
- uma viagem para Itacaré;
- empatia genuína com meus semelhantes;
- muitos seguidores do blog e muitos comentários;
- e só para não esquecer: muita paciência!


Eu ilustrei o post com listras (que achei aqui:
http://www.brushpattern.com), só para fazer gracinha!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal? Qual Natal?




Alguns dizem que a data é enganosa.
Outros falam que O Homem é falso.
Todos afirmam que o símbolo não existe, exceto os menores de 5 anos, no colo.
As árvores são falsas e aqui, nos trópicos, a neve também é.
Os amigos ocultos sorriem falsamente e elogiam pro forma com muito/enorme/exagerado entusiasmo.
Os vendedores garantem que ficou "lieeendo" o vestido comprado com o falso dinheiro que alguém pagará por todo o Feliz Ano Novo.
Os pseudo champanhes espocarão à meia-noite, como se fora reveillon.
Em algumas templos serão celebradas cerimônias em que palavras, com quase 2000 anos de uso, serão pronunciadas mas os ouvidos não as registrarão porque os corações estão surdos.
Bilhões e bilhões de fotos encherão o ciberespaço, cheias de sorrisos congelados e mãos chifradas maneiras!
Presentes e mais presentes substituirão a ausência nossa de cada dia.
Muitos retribuirão com soda cáustica a lembrancinha recebida.
Ao fundo, o som do jingle bells.
Eu terei, talvez, entre uma rabanada e outra, tempo de chorar o pão que não ofereci, o sorriso que neguei, a ironia que distribuí, a mão que recusei.
Quanto esforço, Ó Pai, para fingir que a lição foi aprendida!
Me ajude poque eu não quero amargar no arrependimento.
Preciso aproveitar a chance da vida, a oportunidade que me foi dada no meu natal.
Preciso me nutrir com a essência.
Com um calor mais generoso. Uma fé mais firme nas minhas possibilidades de doar. Na emoção verdadeira a aplaudir as conquistas dos outros. Na segurança de não querer acumular coisas, nem manipular a verdade ou mesmo me iludir. Enfrentar os tempos tranquilos para poder resistir no temporal.
Quero o sentimento genuíno.
Eu quero que o Natal se faça em mim.






Crédito da foto 1: http://splenderosa.blogspot.com/
Crédito da foto 2: http://arkadiel.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Hoje não tem parabéns!



Hoje o Papai faria 79 anos.
Eu ligaria bem de manhãzinha para ele, que sempre gostou de levantar cedo, e daria os parabéns. E já combinaria com ele a comemoração: na casa dele? Aqui em casa? No Diamond?
Para ele, qualquer coisa era festa, mesmo!
Ele me perguntaria:
- Eu não estou muito "derrubado", não, estou?
- Claro que não, Papai! Você está forte demais e muito enxuto!
- Só se for por fora... Eu estou tomando cerveja pra chuchu, com esse calor!
É óbvio que ele não iria perder a oportunidade de uma piadinha. E é claro que estaria dizendo a verdade - o calor está senegalês e só uma "geladas" para ele aguentar!
Ele receberia muitos e muitos telefonemas de congratulações. Sua lista de amigos e admiradores era (e é) enorme.
Ele estaria muito animado, talvez até desconfiasse de uma festa surpresa. Não seria a primeira e o Papai ficaria muito emocionado, como sempre ficava: um homem de sentimentos profundos.
Ele estaria cogitando um banho. É quarta-feira mas é especial, merece o sacrifício!
De bermuda e chinelo, ele iria fazer sua fezinha sagrada. E sonhar com a mais espetacular pescaria: no Amazonas, aquele mato todo, aquelas frutas todas, aquele mundão de água (ele era inimigo só do chuveiro)!
Um almoço frugal: pimenta (muita) amassada no prato, arroz tingindo de vermelho ardido, feijão por cima,revolve tudo e põe a "mistura" que tiver. Carne, só depois, pura, para aproveitar bem o gostinho. Muito suco para acompanhar.

- Credo, Pai, parece que está misturando concreto!
- Credo, nada! Vai misturar tudo lá dentro, mesmo!

Então, ele pegaria o ônibus para o trabalho de fim de ano. E iria reclamar até dos "folgados" que não dão lugar pros mais velhos...
Chegando ao shopping, ficaria olhando de esguelha as noeletes trocando de roupa.
- Eu já sou inofensivo!
E abraçaria as crianças, contaria piadas, e ...
Não.
Isso não acontecerá mais!
Ele não acordará cedo e nós não teremos mais essa alegria que ele nos proporcionava: comemorar sua presença querida.
E eu não vou poder telefonar para ele, não vou ao Diamond Mall tomar um chopp e atentar o Papai. A tia Vera e a tia Maria Virginia não vão levar o bolo para festejar.
E muita gente vai ficar sem o mais charmoso Papai Noel!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Parabéns!!!!


Hoje é dia!
Dia de agradecer com muito mais entusiasmo e pedir com bastante mais fervor.
Aniversário é festa, comemoração, lembrança e promessa.
Mais de trezentos dias e noites sucessivamente correram desde as últimas velinhas e quantos desses dias trouxeram alegrias! Muitos carregaram tristezas, também, mas havia junto muita força para suportar sem desfalecer. TODOS os dias escondiam pelo menos um aprendizado, bobo de quem não achou!
O sol erguia-se a cada manhã (menos nas chuvosas). A noite encerrava a cerimônia cotidiana com cansaço e realização.
Trabalho, compromisso, responsabilidade, suor e algumas lágrimas. Sorrisos, suspiros, lazer e diversão. A tentativa de equilibrar as coisas - fazendo um esforcinho extra para lado light da lista.
Tentar dar exemplo. Fracassar um bocado. Acertar nas contas. Corrigir o curso. Pancada na fuça: aguenta! (com trema é bem melhor!)
Vento, cervejinha, cafuné.
Chocolate, que ninguém é de ferro.
Filhos. Família. Amigos. Companheiros. Coroação de tudo o mais.
Rugas, cabelos brancos, quilos em quantidade, junto com a experiência.
Saudades, raivas, carinho e antipatias... normal para quem é "humano, demasiado humano".
Mas, principalmente, tentando sempre não prejudicar ninguém. Tentando ser um pouco menos nocivo para o nosso planeta. Tentando participar mais da construção do nosso país.
O que mais se pode querer?
Claro: paz, saúde, amor e força e luz!
Então,parabéns... para mim e para o Léo!



Foto 1, Tirei daqui: http://andreaarteira.blogspot.com/
Foto 2, googlei, apareceu umtanto, escolhi uma, postei e ... é isso ai!

domingo, 28 de novembro de 2010

Quando o que fica é a tristeza



Geralmente, são necessários nove meses para que um ser humano evolua de duas minúsculas estruturas que se fundem até um organismo completo e apto a inaugurar uma estrada nesse planeta azul.
Ideal seria se essa evolução orgânica precedesse a outra: moral, espiritual, psíquica, intelectual ou que outro nome tenha.
Porém, no meio do caminho, não tem só uma pedra: tem um monstro cujo nome é Vício. O sobrenome, Degradação. E é assim que a promessa vira fuga. A esperança transforma-se em amargura. O futuro nubla o horizonte e a via revela-se cadafalso.
O homem vai despindo o amor próprio, cai por terra a auto-estima; despenca um por um: o senso crítico, a responsabilidade, a razão, o raciocínio, a vergonha. Emerge um ser amorfo, um zumbi desconexo e perplexo diante de tudo que poderia e não se confirmou.
A força de vontade debatendo com um orgulho natimorto e equivocado.
Por que? POR QUE?
Queria tanto ter a resposta! Queria voltar lá no princípio e escorar as partes debilitadas. Queria remandar o tecido ainda firme, não o trapo que se desfaz. Inútil.
Fica a frustração de não poder fazer querer.
Espero o pedido de socorro que nunca vem, ou se vem, vem pela metade, vem incompleto, vem em falso.
Fica o amargor da incapacidade.
Aguardo a luz, que é vela quase extinta e bruxuleante.
Fica é a tristeza.
Grande, imensa tristeza a enregelar meus dias!



Crédito das fotos: Acreditem, esqueci. Não lembro de onde peguei, mesmo. Quem souber, por favor, me informe.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um post embalado de presente


Vamos combinar que a pieguice fica de fora.
Vamos acertar que a sinceridade tem que ser total.
Vamos pactuar que a ocasião deve estar à altura.
E ajustar que a distância não interfira.
Determinemos que a festa aconteça virtualmente.
Bem, já que estamos de acordo, convido a personagem do post de hoje:
Vânia Helmer, neé, Gatti.
Nossa amizade começou antes mesmo que eu nascesse. Afinal, como contava a Mamãe, ela deu um tombo no Fabinho quando ele ainda era um bebezinho, e quem teve um irmão mais velho que vira-e-mexe te dava uns sopapos, sabe da gratidão que eu tenho pelo gesto de vingança adiantado.
Nossa infância foi sublinhada por períodos de férias - já que morávamos longe e não convivíamos muito amiúde - cheios de brincadeiras de casinha, com direito a "licores" coloridos de papel crepom em lindas garrafas, bonecas, desenhos enviados para o caderno Gurilândia e sessões de cinema com a Lúcia Helena.
Na adolescência dividíamos chicletes importados que comprávamos na Galeria Ouvidor, ouvíamos Milton Nascimento antes de sequer sabermos o que era o Clube da Esquina, paixonites germânicas (quem se lembra de Frederick Schenebelle e Wolfgang?), Queridos Diários e sonhos, muitos sonhos!
Na juventude fui platéia divertida das confusões que ela armava, e como ela conseguia ser pródiga nesse quesito!
Assim, consegui ser testemunha de uma vida venturosa. A Vânia sempre conseguiu cultivar as inúmeras amizades e tem, como marca registrada, a lealdade. Ela também sabe rir das suas trapalhadas e não levar muito a sério seus revezes. Acho que isso é natural das pessoas acostumadas ao sucesso, pois se os meus sonhos juvenis se confirmaram como agradáveis quimeras, a Vânia conseguiu realizar, um por um, todos aqueles planos lá de antigamente. Porque ela é a pessoa mais determinada e disciplinada que eu tive a oportunidade de conhecer.
Por tanta vida em comum, guardo partes dela comigo - como inspiração, admiração e um amor mais que fraterno.
Pela pessoa especial que me foi dada a conviver: gratidão.
Por tudo isso mais um tanto que não vai caber aqui (releiam a primeira linha desse post, por favor) eu brindo e comemoro:
Querida, muito querida, Vânia: Cheers!



Ilustração: http://sweet-as-a-candy.blogspot.com

domingo, 14 de novembro de 2010

Me Lembrei do Eli



É engraçado como o desenrolar de um novelo pode resultar um bololô danado, cheio de nós, ou um cachecol quentinho, uma manta aconchegante.Hoje eu trago o aconchego de uma lembrança feliz.
Num post do Nassif, sobre os dobrados maravilhosos a que nos remetem as datas cívicas (putz, OSPB nas veias), eu me lembrei do Eli.
Grandes prazeres em Glaura: Nas festas, dançar com o Zé Silva e com O Eli. Quando isso acontecia, era tanta leveza e desenvoltura que eu até acreditava que sabia dançar!
E a conversa? Eu comentava com o Papai que, se eu tivesse dinheiro, eu pagaria para conversar com o Eli. Aliás, não para conversar, mas para ouvir. Aquela fala mansa, divertida, às vezes tão profunda, sempre culta, sempre elegante. Um homem do mundo, um homem fino, um homem bom.
Nesse desenrolar da memória, quando o 15 de novembro lembra banda, me lembrei do Eli.
Nós tínhamos admirações em comum: Circos simples e bandas. Ele me dizia que quanto mais simples, os circos, melhores os palhaços. E até hoje isso tem se confirmado.
E as bandas... bem, quem não se arrepia com elas, pode virar a página: até a próxima!
Quem, como eu, tem o coração em compasso binário, fique com o Dobrado Batista de Melo e, nas imagens, a leveza da prosa do Eli.






Foto: Cedida pelo Beto Magalhães (obrigada!)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aos aniversariantes da Semana




No Planeta Terra, em solos humosos, nos desertos, na tundra, em rachaduras de asfalto e concreto, em canteiros adubados, nos laboratórios com ambiente controlado, em latas de molho de tomate adaptadas, no lixo e lugares inimagináveis, a vida brota, flore e frutifica.
Esse é o destino nosso, vidas férteis e caminhar compartilhado. Vário e belo acaso com que nos oferta o fado.
Sempre nos pesa a responsabilidade, assim como nos pesa a beleza ou a genialidade: júbilo indisfarçado que contrai o estômago - de surpresa e/ou de contentamento.
E nos libera o horizonte a perceber tantos sonhos, tanto querer e quanta expectativa!
Às vezes nos amarga a boca e faz tremer as pernas. Outras nos arrepia a crista e nos prepara garras - defesa do tesouro que sob nossa guarda desperta.
A mais conhecida surpresa. A mais surpreendente certeza.
Um pedaço nosso que ausenta, desafia, descobre e volta. Em riso, em choro e em puro amor.
Declarações não são necessárias. E não se pode traduzir o indizível.
Mas que fique claro e registrado: antes desses dois tudo ocorria de um modo mais simplório e muito mais banal.
Aos brotos gêmeos que vieram enriquecer a minha vida: Felizes 15 anos!

Foto:Achei na internet e nem tenho ideia da autoria. Sei que não é minha, mas adorei!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Desculpa aê!


Eu me pego de surpresa, algumas vezes. Flagrantes inescapáveis, desses de auditoria.
Alinho débitos e créditos para análise.
Enfim (como agora é moda, uso uma palavra que deveria vir no final para iniciar uma frase), um balancinho básico já que estou bem próxima de completar meio século.
Pois é, já fui mais nova, todos fomos! Se isso assusta, não constrange. E é coisa que uma dama não deveria confessar. Mas quem falou em dama por aqui? E por esse motivo, eu declaro: em relação a finesse é bom nem comentar muito. Minha discrição está mais para banda marcial que para camerata e ninguém pode me acusar de delicada. Falo alto e gesticulo que só. Minha voz é mais para esganiçada. Rio exageradamente - a oposição diz que é sinal de retardamento. Como muito depressa. Ando com passos curtos e afobados - a Bündchen não aprovaria, não. Tenho alguns problemas com a balança. Poucos. Uns 20 que, conforme a ocasião, nem aparecem: Ao telefone, por exemplo. Não dirijo. Quer dizer, depois de oito tentativas para tirar a bendita carteira e fracassar vergonhosamente, deixei pra lá. Porém corro o risco de ir parar, se não no oitavo círculo infernal, pelo menos no segundo do purgatório (do Dante) toda vez que vejo uma mulher dirigindo seu carrinho.
Oremos.
Meus dentes, ainda que originais, não perigam estrelar comercial da Colgate. Meu salário melhorou um pouco e só não vou citar o anterior para preservar o teclado de inundação.
Já fui muito mais animada no quesito forno e fogão - pelo menos no plano operacional. Mas os meus cabelos... Não mudaram na-di-nha! Minto. Já está pintando uma multidão grisalha na área. Ah! Estou perdendo de nocaute para a gravidade. Costumo cantar (alto e desafinado) quando faço minhas tarefas em casa e, para desespero geral da nação, tenho um repertório pra lá de eclético: Do rock às canções italianas anos 60 e com sotaque digno de Passione. Cumprimento e converso com pessoas estranhas na rua, nos ônibus, anywhere!Por outro lado, minha consciência está cada vez mais aguçada, assim como minha língua. Já não preciso agradar todo mundo. Exercito meu lado "cavalo de parada" com frequência. Estou deixando a casa suja quando estou a fim. Mas costumo esquecer as palavras mais banais. Alzheimer mode on? Sei lá. E o que é mais estranho é que, por tudo e com tudo, nunca gostei tanto de mim quanto ultimamente.

Crédito da foto: De alguém muito esperto de quem não sei o nome.

domingo, 24 de outubro de 2010

Cor-de-rosa


Pela campanha de conscientização dos riscos do câncer de mama.
Esse post é pequenininho, mas a batalha é enorme. Mulheres cuidando de si e se responsabilizando, sempre, pela escolha da Vida!

Foto: Estava na internet para ser copiada mesmo. E sem autor!

domingo, 17 de outubro de 2010

Quero a simplicidade


Nesses dias de tantas informações e sofisticados dilemas. Numa era marcada por tecnologia de ponta, avanços científicos e na qual o tecido é inteligente mas desaprendemos que o vestir é mais do que seguir a moda. Quando salgadinho de milho tem sabor artificial de churrasco, é mais do que a carne que é fraca. De repente a gente descobre que decorou as senhas de três cartões de crédito e de seis sites mas que não sabe mais nenhuma poesia. Nos arrepiamos por saber que nossos filhos já discutem sobre sexo, drogas e rock'n roll e acham que brincar de roda é a coisa mais besta do mundo. Já tem carro que estaciona sozinho e tem gente que põe a banheira da "hidro" para encher de água à 38 graus, pelo controle remoto. Descobrimos que os alimentos funcionais funcionam e o botox rejuvenesce 20 anos em 30 minutos. Mesmo que as viagens espaciais já são quase uma rotina e que o primeiro bebê de proveta já não é confiável porque tem mais de 30 anos, o que eu quero mesmo é a simplicidade.
Quero de volta o meu céu estrelado de verdade e não ofuscado por milhões e milhões de lâmpadas de vapor de sódio. Quero o vestido de algodão fresquinho. Quero as jabuticabas colhidas na hora, logo depois da chuva, e engolindo as três primeiras com casca, para não entupir. Prefiro o meu chá quentinho em vez do antibiótico. Cadê as serenatas? E os assovios chamando nas ruas para a reunião da turma? Acho preciosa a fotografia amarelada, com dedicatória escrita naquelas letras lindas, com caneta tinteiro. Aliás, amo as fotos antigas que me contam histórias secretas, cheias de emoção e esperança. Me deitar em lençóis branquinhos, cheirando a alfazema. Quanta expectativa num copo de água que tem mergulhada uma bolinha de massa de pão! Ninguém me impeça de pisar nas folhas secas, crocantes. Me desafiem com um novelo de lã embaraçado. E me contem de heroísmo, de crianças aprendendo a falar, do nascimento de gatinhos ou cachorrinhos e piadas de papagaio. Quero o sol sem câncer, o passeio a pé e a água pura. Alguém me diga que a blusa bordada com linha de seda foi "vovó quem fez"! Quero ver a criança com o joelho ralado pedindo para soprar. Não me importa saber que o soluço é uma reação do diafragma: quero é colar, com cuspe, um pedacinho de papel na testa do bebê. Me convidem para ver o pôr do sol entre dois morros, como os desenhos de antigamente. Acima de tudo, me falem da confiança. Me prometam que os sentimentos ainda perduram.
Me garantam que a amizade e o afeto são a maior novidade do pedaço.

A foto, eu tirei daqui: http://www.desiretoinspire.net/

domingo, 10 de outubro de 2010

Quem dera!




- Oi, Pai! Que saudade!
- Oi, Bichinha! Também estou com saudade! Eu te vejo sempre, mas assim, conversando é bem diferente!
- Como o senhor está? Feliz? Em paz?
- Muito, filhinha! Eu era meio cabreiro, você sabe... Céu, anjinhos... assim... frapê... sabe como, né? Chazinho, umas harpinhas meio delicadas demais... Não punha muita fé. Mas que nada, aqui é muito é bão!
- Mesmo? Ou está só querendo me tranquilizar?
- Mesmo! Muuuita pescaria, clima muito bom, fresquinho. Neca de mosquito. Cada peixe bitelão! E pra melhorar, é só companhia boa chegando. O Rúbio, foi o último. Que supresa mais bacana! Eu e o Eduardo, a Walquíria, a Mamãe, a Olga, o Carlito, o Walter,a Iris, enfim, nós todos, quase caimos pra trás! Tudo bem se tivéssemos caído, mesmo. Nada que a gente faça aqui, machuca. Não tem frio, não tem calor, nem pressão alta, diabetes, dor, nada, nada disso!
- Sério, pai?
- Bem, sério não é. A gente ri muito, conta piada, relembra muita história e, na dúvida, tem um serviço aqui, que é sensacional. Chama "Re-Vero". É só querer que aparece um anjo (na verdade não dá pra saber se anjo ou anja, mas é cada um mais bonitinho que o outro) e carrega tipo uma tela de TV (parece até aqueles filmes de ficção) fininhas... E passa direitinho a cena que a gente pediu em 5 dimensões.
- Ah, deve ser parecido com LCD. Aqui na Terra já tem. Ainda custa um pouco caro, mas já é bem comum.
- Você que dizer plasma? Eu já tinha ouvido falar quando ainda estava aí.
- Não, Pai. Plasma já está ultrapassado. LCD é cristal líquido, muito mais avançado! Mas só em 3D. E assim mesmo, tem que usar uns óculos especiais.
- O pessoal aí também não para de inventar, né? Mas a turma aqui põe qualquer um no chinelo! Pois então, voltando à vaca fria: não fica nem uma duvidazinha. Por isso é que mentira aqui, não pega. Nem inveja, porque não tem motivo. Nem raiva - ou ira, como eles dizem. Sabe aquela minha mania de apelar? Parei com isso.
- Que coisa!
- Pois é. Não tem nem oportunidade de cometer qualquer pecado. É tanta coisa boa que ninguém se preocupa em perder tempo.
- Perder tempo?
- É modo de dizer... Você já sabe: é aqui que mora a eternidade.
- E o resto do pessoal que foi pra aí? Como é que estão? Onde estão?
- Isso é o melhor de tudo. Tá todo mundo aqui, mesmo. Hoje, inclusive, foi uma turma grande fazer uma excursão para um lugar muito popular. Na verdade, vai mais é a mulherada... Lá é cheio de flor, muita música, essas coisas... Lembra muito o Éden, só que sem o Adão e sem a Eva. Como eles já avacalharam com um, estão proibidos de entrar nesse.
- Hahahah... Compreensível!
- Hehehe... Pegou a ironia, né?
- O senhor não perdeu a verve!
- Nem te conto! Tem dia que eu acordo "aspirado" (como dizia o Tortinho). A gente junta e é uma farra tremenda! Muito chope. Muito sambinh...
- Epa! Chope? Tá brincando! Não vem, não!
- Tá. Pode não ser chope de verdade. Mas é igualzinho! Então, pra mim - e pra quem gosta - é! Um sabor... hummm... uma temperatura!!! Sabe, cu de foca?
- Que isso, Pai? Palavrão no Céu?
- Na-na-ni-na-não! Aqui não existe palavrão. Nada que você diga é palavrão. Aqui não tem maldade! Tudo é natural. A gente come, bebe, se diverte, ri. Tudo na medida certa. O errado é passar dos limites. Errado é prejudicar os outros. Isso, não acontece aqui. Se uma palavra não agrada a um ou a outro, essa palavra não chega aos ouvidos da pessoa. Ela entende o que lhe agrada. É como se fosse um tradutor particular e especial. Por isso aqui não tem essa separação de idiomas e países. Pode vir um ex-russo conversar comigo que eu entendo tudinho o que ele fala! Você não imagina a quantidade de amigos que eu já fiz aqui!
- Que bom!
- É. Eu só não fiquei surpreso quando cheguei, porque, antes, a gente faz um tipo de cursinho. Que é pra preparar e ir deixando de lado aquelas picuinhas e manias que todo mundo tem. Você, literalmente, lava a alma! Vai se limpando dos vícios e mágoas. Começa a compreender o que realmente importa. Quando entra aqui, é só pra se sentir bem.
- E saber o que está acontecendo na Terra? Não causa sofrimento, não?
- Não. É porque como a gente já sabe qual o propósito das coisas acontecerem, fica todo mundo tranquilo. O que traz sofrimento é não saber. Não compreender o porquê de certos acontecimentos. Aqui, a turma inteira já sabe que o Todo Poderoso - eu chamo Ele de Chefe - é perfeito, mesmo!
Tudo mundo já está careca de saber que no fim, dá tudo certo!

Foto: Achada na internet, admirada, copiada e não creditada por não saber a autoria.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Humana Comédia - casos reais



Fatos engraçados acontecem o tempo todo. Mas para isso é preciso interpretar os acontecimentos com humor. Muitas vezes, quando acontece algo que nos deixa incomodados, reagimos com vergonha, frustração e até mesmo agressividade. Acredito que seja a tendência de reação o que faz as pessoas serem dividas em: bem e mal humoradas. Dizem que aprender a rir de si mesmo é uma das maiores mostras de sabedoria.
Vou contar alguns casos que ouvi e que foram contados em meio a gargalhadas. Alguns poderiam até ser classificados de trágicos (com um pouco de exagero!) mas espero que sirvam para divertir.


A tia Ismênia, certa vez, andando distraída, viu um botão de sua blusa cair. O que ela fez? Pegou o botão e engoliu. Pode ser o cúmulo da hipocondria!


Minha colega de trabalho contou que entregou para um "chefe" de seção recém empossado, um projeto em que estava escrito: Para sua apreciação. Ela quase engasgou quando pegou de volta o documento. Junto à assinatura, constava: Apreciei muito!


Outra colega contou que sua irmã foi fazer compras no sacolão do bairro e lá encontrou uma vizinha, já idosa, no caixa pagando as compras. Essa vizinha, enquanto esperava , ficava dando umas reboladinhas muito engraçadas. Ela então cumprimentou:
- Como vai a senhora?
- Oi, minha filha. Não estou muito bem não...
- Não fale isso! Está até dançando!
- Que nada, estou é com Mal de Parkinson, que afetou minha perna!


Vou contar o “causo” a seguir, da maneira que ouvi:
“ Eu estava em uma missa de sétimo dia na igreja do meu bairro e vi uma amiga abraçada com uma pessoa um pouco à minha frente. A mãe dela era muito baixinha e por isso eu não a vi. A igreja esta LOTADA, um calor HORROROSO e por isso resolvi sair para tomar um ar. Alguns minutos depois, essa minha amiga falou bem alto um pouco mais de longe:
- Oi, Maria José. Perdi a minha mãe.
Eu, muuuito discreta, gritei de volta:
- Preocupa não, ela deve estar no meio dessa zona toda!
Aí, a bomba:
- Você não entendeu, hoje é missa de sétimo dia dela!”



A tia dessa mesma “manoteira” mora em Ouro Preto. Ela é solteirona e vive com um dos irmãos, também solteirão. A casa é bem velha, muro baixo, sem muita neura. Um dia, o irmão tinha saído, quando a tia entrou em casa e viu um estranho dormindo no sofá da sala. Ela saiu de fininho e chamou um vizinho, com medo. O vizinho achou melhor chamar a polícia. Quando os guardas chegaram, entraram na casa e pegaram o intruso e o levaram para a delegacia. Quando ele estava saindo, escoltado pelos policiais, virou para a dona da casa e reclamou:
- A senhora é foda, viu?!?!


A Maria José também é fã de uns “birinaites”. Foi a um churrasco na casa da irmã (a do sacolão) e, como a carne estivesse demorando muito, resolveu fazer uma busca na geladeira para ver se descolava alguma coisa mais rápida. Achou uns palitinhos ajeitados e colocou na churrasqueira, pensando com seus alcoolizados botões: Essa minha irmã é uma munheca de samambaia, amarrando a muçarela! Só que a muçarela não assava nem por reza! Aí, não teve jeito. Teve que reclamar com a irmã:
- Puxa vida! Onde é que você comprou esse queijo duro?
- Mas quem falou que isso é queijo? São uns palitos de cana que eu guardei na geladeira!

Este post continua na próxima semana...


Crédito da foto: Por aí na web, quem souber, me avise!

domingo, 26 de setembro de 2010

Para aprender a tolerar os erros



Eu já fui assim!
Que coisa, heim?
Na época, ser "fofinha" era mais que recomendável, era exigência. Hoje, eu e a balança estamos "de mal". Eu a ignoro na maioria dos dias. Quando não consigo ignorar, eu a ofendo um tantão. De qualquer forma, ela retruca na hora e é de uma sinceridade cruel: gorda! Fazer o quê?
A resposta mais óbvia: dieta, é claro!
Mas será que estou disposta a enfrentar esse sacrifício? Dos tantos que já diariamente faço, esse, talvez, seja o mais doloroso. Já faz mais de seis anos que eu parei de fumar. E eu asseguro que foi dificílimo. Se privar de algo prazeroso é um inferno! Eu tinha prazer em fumar. E adoro comer. E como de tudo, com entusiasmo, afinal, sou filha de quem, mesmo? Sei que preciso aprender a controlar as quantidades. Mas, talvez, o que mais me faça mal seja a ansiedade. Essa é a minha pior companhia. Cobranças diárias e ininterruptas por um ideal, que sei, é inacessível. Ninguém pode se cobrar tanto e ser saudável. Tenho que aprender a respeitar meus limites. E parar de sentir culpa. E aceitar as falhas. E suportar as críticas. Ter consciência disso é o primeiro passo, espero. Dedos cruzados, posição de iôga (como se eu aguentasse),respirar fundo e repetir o mantra: eu consigo, eu posso, eu tenho a forçaaaa!
Acho que é um bom começo.

Foto: minha mesmo, uai!

P.S.: Por mais de uma semana o blog ficou com um erro: Em vez de Fernanda, eu escrevi Fernada... e ninguém corrigiu! Que vergonha!!!! É só clicar no comentários e deixar um recadinho. Conto com vocês.

sábado, 18 de setembro de 2010

Direto da Amazônia


Das profundezas da Selva Amazônica me chegam colaborações da Fernanda "Nuni" Villani, depois do auxílio luxuoso do Marcinho, diretamente "dazoropa". Seguidores, eu só tenho 24, eu própria incluída, mas a qualidade dos coautores (eu garanto) é admirável!

Ela lembrou de quando o nosso querido Juca cometeu mais duas façanhas que conseguiram tirar a proverbial paciência do tio Rúbio.
A primeira, na mesa do buraco da tia Iris. Ou o buraco do Juca na mesa da tia Iris. Sei lá, acho que estou escrevendo besteira!
Vamos lá:

Quando precisava completar o número de jogadores para a partida de buraco dominical, o desespero aceitava qualquer um. Até eu. Até o Juca!!!! E o Juca foi para o sacrifício, mesmo precisando urgentemente soltar uns flatos, digamos assim. Sair da mesa era impossível, por isso, o Juca soltava uns puns que... deixa pra lá.
Enquanto isso, o Papai, numa rara maré de sorte, comprava as cartas exatas de que precisava. A cada compra, declamava:
- Olavo Bilac!
E o tio Rúbio, pra variar, injuriado.
Até que, finalmente, o tio Rúbio apelou:
- Olavo Bilac uma ova, Fábio! Olavo é c* do Juca!


A segunda façanha, só poderia ser numa pescaria.

O Papai levou sua tralha. O tio Rúbio, também. O Eduardo levou e a galera toda levou. E o Juca levou? Claro que não. Claro também que ele não ia perder a oportunidade de pescar. Ainda mais que ele "achou" uma vara de pescar do tio Rúbio toda equipada, molinete e isca e cia. Estava ele todo pimpão pescando quando recebeu um chamado urgente da natureza. Todo afobado, já nos últimos extertores, enterrou a vara, de qualquer jeito, no barranco e foi fazer seu serviço no mato. Só que a vara se desprendeu - deve ter sido um dourado enorme que puxou - e foi parar dentro do rio. Quando ele voltou, cadê a vara? Ficou indignado:
- Algum ordinário roubou minha vara!
Enquanto isso... o tio Rúbio pescava compenetrado. De repente ele gritou pro Papai:
- Pesquei, pesquei um grande! E começou a puxar a linha, que veio com uma vara - A vara.
- Não é peixe, não, Fábio, é uma vara. Que sorte, com molinete e tudo! É a MINHA vara!
- Aposto que foi aquele filho da *piiii* do Juca!



Foto: Gentilmente cedida pelo Terci, companheiro de pescaria do Papai e amigão!

sábado, 11 de setembro de 2010

Poesia de Alto Nível


O Cume...

"No alto daquele cume
Plantei uma roseira
O vento no cume bate
A rosa no cume cheira.

Quando cai a chuva fina
Salpicos no cume caem
Formigas no cume entram
Abelhas do cume saem.

Quanto cai a chuva grossa
A água do cume desce
O barro do cume escorre
O mato no cume cresce.

Quando cessa a chuva
No cume volta a alegria
Pois torna a brilhar de novo
O sol que no cume ardia!"


Poesia, achei no: Receitas Uruguai-Brasil (http://www.rubr.com.br/)
Foto: na internet e não consegui identificar o autor.


Para quem gosta de artesanato:Visitem o Mari Artes e Família e participem do sorteio:

domingo, 5 de setembro de 2010

"Péloras" Portuguesas



Certa vez o Papai me entregou um recorte do jornal Diário da Tarde.
Quando eu comecei a ler, para variar, tive ataques de riso. Isso mesmo, no plural.
Ele e eu chorávamos só de olhar um para o outro.
Um jornalista brasileiro,mineiro, para ser mais exata, cujo nome não me recordo, garantiu a veracidade da publicação das manchetes de jornais. Longe de mim ser politicamente incorreta, só estou contando um fato "acontecido".
Pesquisando na internet, encontrei as Pérolas do Jornalismo Português, mas sem as declarações do jornalista, o que é uma pena. Divirtam-se:


"Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes."

"Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de câncer a cada ano."

"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."

"Os sete artistas compõem um trio de talento."

"A polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada."

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão."

"Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido."

"Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável."

"Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis as suas origens."

"No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos."

"Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva."

"A conferência sobre a prisão-de-ventre foi seguida de um farto almoço."

"O acidente provocou uma forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido."

"O aumento do desemprego foi de 0% em novembro."

"O cabrito-montês ficou morto na estrada durante alguns instantes."

"À chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel."

"As circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras."

"O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos."

"É uma bela obra, de onde parecia exalar toda a fria tristeza da estepe gelada. Foi executada com um calor magistral."

"Parece que ela foi morta pelo seu assassino."

"Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça."
"Os antigos prisioneiros terão a alegria de se reencontrar para lembrar os anos de sofrimento."

"A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço."

"O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas."

"O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas."

"Este ano, as festas do 4 de setembro coincidem exatamente com a data de 4 de setembro, que é a data exata, pois o 4 de setembro é um domingo."

"O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão."

"Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio trata-se de um incêndio."

"O velho reformado, antes de apertar o pescoço da sua mulher até à morte, se suicidou."

Esse post é em homenagem ao Marcinho (que me prometeu contar casos lá da Terrinha), um leitor assíduo e querido desse humilde blog.

Estava esquecendo o crédito da foto: Carinhosamente cedida pelo grande amigo do Papai, Terci..

E.T. Um adendo: O Marcinho já deu um feedback:


"Um casal de brasileiros amigos meus e residentes aqui jura de pé junto que isso aconteceu com eles. Chegando em um restaurante para almoçar por volta das 13:00 havia uma placa: "fechado para almoço".

Este outro fato aconteceu comigo, só havia uma mesa (ocupada) na pizzaria em que trabalho, aí os clientes pediram a conta. Pedi então para o caixa:
- Fecha a conta!
E ele me respondeu:
- De qual mesa? rsrsrs
Falei com ele:
- Agora você me apertou !! Quantas tem?? rsrsrs

Teve uma que foi um português amigo meu que contou e me disse que é verdade.
O pai dele é policial e foi roubado um carro, passaram a mensagem via rádio dizendo que foi roubado um veiculo, de uma determinada marca, na rua tal, próximo a tal lugar, e era um carro de cor vinho. Pelo rádio um policial pergunta:
- Cor vinho?? Tinto ou branco?? rsrsrs

Depois me lembro de algumas e te mando mais !! rsrsr

Beijos"


É isso aí. Obrigada, Marcinho!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pietra


O nome dela é Pietra
Vive no bairro Castelo
Essa história, eu espero,
Despertará atenção

Foi numa noite de outubro
Não lembro se tinha lua
Só sei que veio da rua
E uivava de solidão

Sua dor era tão forte
De medo e desesperança
Que acordou a vizinhança
Provocou irritação

O tempo escorreu lentamente
Naquela mesma madrugada
Deram tiro na coitada
Por sorte não acertou, não.

Bem cedo pela manhã
Fui ver como ela estava
Encolhida e apavorada
Senti muita compaixão

Dei-lhe água e alimento
Fiz festa na cachorrinha
Ela sorriu bem mansinha
Entregou-me o coração

Foi assim que a Pietra
Começou a aventura
Sentindo que estava segura
Partiu logo para a ação

Cada dia mais esperta
Tomando conta do lote
Sabia que era mascote
Espantava até ladrão

Ficando sempre mais linda
O negro pêlo acetinado
Arranjou um namorado
Começou a gestação

Nasceram oito filhotes
A metade era de fêmeas
E os outros, irmãos das gêmeas,
Cada qual uma perfeição

Não sei como conseguia
Amamentar essa turma
Com um barulho desses durma
Quem não tem compreensão

Afirmo que me comovia
A mãezinha abnegada
Cuidando da filharada
Com tanta dedicação

Mesmo assim ainda tinha
Quem da Pietra reclamasse
Não era cachorra “de classe”
Pura discriminação.

Eram fofos os filhotes
Foi pura felicidade
E até com facilidade
Que consegui adoção

Fiquei sentida, é verdade,
Porém o certo foi isso
Eu tinha esse compromisso
Era a única opção

É claro que ela sofria
Mas com tudo se acostuma
Ela era só mais uma
Com a dor da separação

Ela acabou superando
Com o tempo, se acostumou.
De carinhos me cercou
De alegria e atenção

E eu também reconheço
Que me apeguei tanto a ela
Sei que essa linda cadela
Já virou minha paixão

Adoraria morar
Numa casa com quintal,
Com jardim e coisa e tal
E poder ter mais um cão.

A realidade, porém,
É que moro, no momento,
Num pequeno apartamento
Cheio de confusão

O gatinho Ferdinando,
Os cães: Fritz e Fulô.
E haja tanto cocô
E xixi também, de montão.

Vim contar essa história
Espero ser bem sucedida
E encontrar pra minha amiga
Um lar, um abrigo e atenção.

Ela merece isso tudo
E mais: a felicidade
Ela provou que de amizade
Está cheio o seu coração

Peço a quem possa ajudar
A terminar essa biografia
Proporcionando a alegria
De uma comemoração

Que Deus proteja e abençoe
Aquele que abre os braços
E ata os profundos laços
Do verdadeiro amor de um cão.

Foto: Isabela Tunes

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quatro Anos!


Há quatro anos eu segurei pela última vez aquela mão enorme entre as minhas.
E senti meu coração esmagado quando vi, por uma fresta na porta, os médicos desligarem o monitor, quando o coração dele resolveu que era hora de descansar. Foi a quatro anos atrás a vez derradeira em que eu senti o calor da sua pele e afaguei seus cabelos brancos, suados, mas macios. E foi minha, cheia de amor e preocupação, a última voz, conhecida, que ele ouviu.
Por todo esse tempo eu quis ouvi-lo me chamando de "Bichinha" ao telefone. E desejei escutar: "Eu já te contei aquela?" E ansiei ver seus bolsos cheios de balas para os netos. Ter um vidro de pimenta reservado, na cozinha, para ele.
Ele teria adorado o apartamento que eu e o Léo compramos. Ele viria repartir conosco e com a Rosa e o Renê, nossos vizinhos, os momentos "gourmet", as histórias, os casos, as anedotas. Ele estaria exibindo e estragando a Maria Eduarda, a bisneta que não conheceu. Sentiria orgulho da Adriana. Faria adereços para o Leozinho se apresentar no Excalibur. Tentaria ajudar o Eduardo a dar um rumo na vida. Ampararia o Fabinho, mesmo se desentendendo com ele. Ele teria, muito provavelmente, adotado a Pietra, a cachorrinha da rua que eu adoro e de que cuido. Teria "altas" conversas com o Frederico e provocaria gargalhadas na Isabela.
Eu sonho e sonho com ele.
Ele está sempre muito feliz.
Eu estou feliz por tê-lo encontrado.
Eu sou feliz por ser sua filha.
E ele faz muita falta!


(Crédito da foto: Ricardo Aluotto)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O importante é a rima que dá!


Que canseira!
E olha que só tem um mês e meio que eu só estou trabalhando e estudando e cuidando de casa e cozinhando e lavando e dando atenção para marido e filhos e ...Hã!?!
Mas o importante é ter saúde: Tirando a sinusite e depois a gripe, estou Uótema!
Mas vamos ao que interessa.
Um dia desses estávamos conversando, lá no meu trabalho, sobre ditados populares e a chefe da minha seção se lembrou de um, que sua avó falava quando a netaiada estava reunida e tinha só um pouquinho de doce, ou de biscoito, ou qualquer outra coisa para repartir: Ela dava o restinho, sem "amarrar mixaria":

Coisa pouca não se regra
Acaba com isso que sossega.



Eu achei genial. E me lembrei de algumas expressões que eu ouvia e ficava tentando descobrir o que poderiam significar: Com a avó atrás do toco, por exemplo. Eu ficava imaginando a Vovó agachadinha atrás de um toco de árvore.
Faz pouco tempo, também, que eu li um livro, do Mário Prata, em que ele conta de uma amiga que morria de pena da coitada da Tumitinhas.Ela nunca tinha percebido que Tumitinhas, não era uma personagem na Cirandinha:

(...) O amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou!

O caso é que tudo que acontece comigo, durante o dia, no trabalho ou na escola, nos ônibus ou na rua, eu conto lá em casa. Cada casinho acontecido. Cada manota que eu dou. ( A Isabela quer morrer!) Nesse dia, conversando sobre isso, recitei umas trovinhas que o Papai adaptava. Ele era craque em "customizar" poesias, quadrinhas e até músicas. Algumas que eu lembro:

Joguei uma pedra no rio
De pesada foi ao fundo
Os peixinhos reclamaram:
Não joga pedra aqui não, pô!


Quantas flores pelo campo!
Quanto sangue derramado!
Será que mataram algum boi?


E tinha um sambinha muito bacana:

Ocês era o porta estandarte do bróquio
E dançava com imprefeição
Mas agora que bróquio acabô
Nosso samba num amiorô
Adevorve
Advorve o porta estandarte do Craudionô

Adevorve oh, nêga
Adevorve oh, péstia
Adevorve o porta estandarte que eu te deste!


E mais um, para encerrar:

Nóis era sete
Fumo morreno
Fumo morreno e só restaram
Eu!


Fui!


Crédito da foto: Cortesia de Beto Magalhães

domingo, 15 de agosto de 2010

Giovana



Por que?
Por que eu sonho tanto com você?
Por que eu acho que falhei em ser amiga?
Por que admirava tanto e procurava tão pouco?
Que falta é essa que eu sinto se, quando você ainda era acessível, eu mal via?
As dúvidas são muitas e as certezas também.
A certeza de que foi você quem me mostrou um lado "fun" da vida. Foi você quem me mostrou que se pode agradar sem fazer esforço algum. E foi você quem me ensinou o significado da palavra espontaneidade.
Também é seu o crédito pela minha inserção nas noites dançantes. E pela descoberta de um certo charme - insuspeito.
Como ser leve e resistente? Você me revelou. Assim como ser jovial, animada, atenciosa, generosa.
Como, tão diferentes, pudemos ser tão próximas?
Deve ser essa a persposta - ou a resgunta.
Mas você foi também a autora da maior e pior forma de me surpreender:
Tão cedo, tão incompreensivel e dolorosamente...
...E eu, gostava ainda gosto tanto de você!






Crédito da foto: Ricardo Aluotto
Vídeo: (http://www.youtube.com/watch?v=oiMB_6fSRn0)

domingo, 8 de agosto de 2010

Caleidoscópio em Família



Em primeiro lugar, mesmo sabendo que a data de hoje é eminentemente (*) comercial e, de qualquer forma, já é noite: FELIZ DIA DOS PAIS!.
Ainda bem que existe esse dia que obriga os mais distraídos a pensar um pouco no privilégio que é ser pai e ter pai!
Eu desfrutei o meu pai por muitos e muitos anos e, todos os dias, lamento que ainda tenho sido muito pouco.
Ontem, houve festa no apê da tia Vera. Não foi beeem no apê, foi na área de festa do apê, mas não precisamos de muito preciosismo. Foi ótimo, mesmo eu estando com gôgo (o google explica).
Eu falava com a prima Valéria, que o próximo post seria - e é - sobre o Cláudio. Sobre o Cláudio e sua relação de amizade com o Papai. É claro que tinha que ter um lance de pescaria: Morada Nova, Traçadal - um point muito frequentado. Apresentado pelo Cláudio e pela Terezinha. Até eu já fui lá. Mas, muito além das pescarias, havia um ritual: Toda vez que o Cláudio retirava um carro nova na Fiat, passava lá em casa para mostrar para o Papai e levar o "velho" para uma volta. Sei lá do que falavam. Sei lá dos silêncios, para ouvir o motor (ou não ouvir o motor). Sei lá das piadas e gargalhadas dos dois. Mas sei, sim, do orgulho que o Papai sentia. Do carinho que esse gesto representava. Da admiração mútua: um tio e seu sobrinho - laço que em muitas famílias já não representa quase nada, mas na nossa família, deixou marca profunda.
Na festa, ontem, vendo que a "foto dos irmãos" está tão cheia de ausências, dói um tantão, puxa!
Mas tem uma turma linda chegando! Gente, não se afastem! Preservem esse vínculo!

O que tem esse caleidoscópio a ver?
Em algum post eu comparei lembranças com quebra-cabeças. Mas também podem remeter aos caleidoscópios que o Papai adorava fazer . Colocava pedaços de acrílico, coloridos, brilhantes. Quando se mexe no aparelhinho, se desfaz um arranjo. A cada novo movimento feito, uma imagem diferente aparece. Qual a mais linda? No fundo, isso nem interessa. O importante é que as peças estão ali, juntas, compondo beleza e deslumbre! Como a amizade. Como a alegria. Como o respeito. Como o Cláudio. Como o Papai!

(*)Eu amo essa nossa flor do Lácio: que delícia de palavra: eminentemente. É claro que se eu falasse assim lá na festa, ontem, provavelmente levaria uma vaia daquelas! Então, consegui enfiá-la num blog assim, simplesinho. Não é que deu um ar chique?


Foto: Tirei daqui: (http://www.prendasdeanos.com/prendas-feitas-em-casa-caleidoscopio/)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Macarronada ao Suco




Aqui está a contribuição do Manoel (não, o Audaz, mas o Villani):

"Estávamos eu, seu pai e o Eduardo a caminho do Rancho do Bigode (O Neneco, filho da tia Conceição) localizado próximo à Pirapora - mais precisamente na Barra do Guaicuí, para mais uma de nossas aventuras de pesca. Na estrada, entre o trevão e a cidade de Curvelo, havia (ou ainda existe, nem sei mais...) uma porção de barracas espalhadas por suas margens oferecendo aos viajantes produtos diversos para compra, como frutas, verduras, pimentas, etc. E dentro do eticétera , tamarindos, que nem sei direito a que família pertence. Aí seu pai resolveu comprar os tamarindos para levarmos para saborear durante a pescaria. Comprou logo uma boa quantidade deixando-nos com aquele aperto peculiar na boca causado pelos alimentos azedos durante o resto da viagem. Ao chegarmos ao rancho, depois de toda a festa de recepção, a Cleide – companheira e sócia do Neneco no rancho pediu que uma de suas funcionárias tratasse todo o tamarindo extraindo sua polpa e preparando-o para fazer um suco bem geladinho e refrescante, o que nos ajudaria a minimizar o desconforto do forte calor que bate naquela região.
Tudo ajustado, a tralha de pesca e nossos pertences em seus devidos lugares, fomos rapidamente ao que nos interessava: o rio! Passamos os três a tarde toda dentro do barco dando banho nas minhocas e jogando conversa fora. Já quase ao escurecer o Eduardo propõe que a gente volte para o rancho, pois ele queria fazer uma bela macarronada para o jantar. E lá fomos nós para o conforto do rancho. Banho tomado, todo mundo refrescado, formos para a enorme cozinha e o Eduardo começou a preparar a macarronada. Carne moída e molho de tomates frescos já à disposição na geladeira. Foi tudo assim no vapt-vupt: não demorou muito e já estava tudo pronto. Macarrão cozido, molho à bologneza fumegante, vamos partir para os finalmente... E finalmente descobrimos que o molho de tomates frescos era nada mais nada menos que a polpa de tamarindo!!! Molhinho azedinho e intragável, e seu pai ainda queria salvar e comer tudo. Só ele mesmo!!!"


Hehehe, vocês pensaram que eu havia errado no título do post, né?
Mas foi macarronada ao suco, mesmo: suco de tamarindo!
Uma noite bem doce para os visitantes!
Um beijo bem carinhoso de agradecimento ao Mané (que era como o Papai falava)!


Foto: Acervo pessoal

domingo, 1 de agosto de 2010

Tapinha dói, sim!


O Papai não batia nos filhos. Ele tinha medo, dizia. O Fabão era forte demais e quando perdia a calma, era perda total, como nos relatórios das seguradoras. Ele também se lembrava das surras recebidas de seu pai, o vovô Carlos, "um touro", como se falava. O Vovô agarrava os filhos pelos cabelos e descia a mão... O Papai contava de uma vez em que tentou se esconder na "casinha" (sinônimo de banheiro) e não foi rápido o suficiente: O Vovô, com uma só mão, arrebentou a corrente da descarga e deu o "corretivo" de praxe.
A Mamãe, ao contrário do Papai, era adepta da educação das antigas: vara de marmelo, cinto de couro, chinelo, fio de ferro-de-passar-roupa (eles se desconectavam do aparelho e eram revestidos por um tipo de tecido). Depois da surra, vinha o complemento: banho de água com sal para diminuir os vergões!
Eu não bati e não bato na galera aqui de casa. Tenho aversão à violência. Não sei se fiquei com alguma sequela (putz, devolvam o trema!!) psicológica por ter apanhado, mas sei que era horrível demais.
Agora veio uma lei para impedir que as crianças sejam castigadas fisicamente ou por qualquer outra forma cruel e abusiva. E assim começa uma polêmica: a interferência do Estado no privado direito dos pais educarem seus filhos da maneira que bem entendem X A necessidade de castigos físicos para a educação das crianças. Mais ou menos como a equação: 1+1=B.Ou, o que é que o *(piiii) tem a ver com as calças?
De qualquer forma, como muitas outras, no Brasil, nada garante que a lei vai "pegar" - mais uma muda na horta legislativa nacional!
Entendo que educar passa muito além de palmadas e surras. Limites não precisam ser tão, digamos, explicitamente colocados. E a discussão vai muito além.
Só que isso me fez lembrar que, antigamente, alguns castigos fizeram escola. De beliscões fininhos, com as pontas das unhas a outros grossões, com o polegar e o indicador inteiros como protagonistas. Ajoelhar em milho ou feijão. Lavar a boca com sabão, para não falar palavrão. Comer cigarro, para não fumar. Minha avó Geni, fez a Mamãe e o meu tio Carlinhos comerem o resto de um tacho enorme de doce de leite para eles nunca mais brigarem para raspar o tal tacho. Isso tudo, hoje em dia, virou folclore, mas casos pavorosos saídos das páginas policiais nos alertam que a barbárie humana não é ficção ou piada familiar.
Com a lei ou sem ela, carinho, já!

Foto: Tirei daqui: (http://conexoesinevitaveis.blogspot.com/2010/08/educacao-um-tapinha-nao-doi-sobre-lei.html)

domingo, 18 de julho de 2010

Coisas que Aprendi


A Mamãe fazia aniversário dia 19 de julho. Em 1999, seu aniversário foi na véspera de sua morte. Por muito tempo eu me culpei por isso. Fui eu quem a levou para o hospital e, talvez, por não informar corretamente aos médicos o que ela estava passando, demoraram demais para descobrir a úlcera que supurou e acabou por provocar-lhe a morte.
Tema pesado para um blog que se pretende "de amenidades".
Mas é que eu preciso.
Preciso dizer que aprendi a me perdoar. Assim como aprendi a perdoar a Mamãe.
Não foi fácil conviver com alguém que tinha tanta consistência, tanto saber, tanto talento, beleza e força e que conseguiu se destruir tão persistentemente.
Ninguém sabia, nem ela, da doença que a consumia, hoje tão falada, tão difundida, tão banalizada: a depressão.
Por muitos e muitos anos ela foi "apenas" uma alcoólatra. Em certos períodos era doida, com direito a internações no Raul Soares e na Pinel. É claro que eu era criança e não pude interferir. Aprendi a perdoar outras pessoas, também. Todos tinham as melhores intenções.
A Mamãe também procurou caminhos que pudessem ajudar a superar um lado negro da sua vida. Ela procurou com fé: Seicho-No-Ie, espiritismo, umbanda, igrejas de variadas denominações. Seu problema era físico. Só descobrimos quando o seu organismo já estava demasiadamente desgastado por tantas agressões pelo cigarro e álcool. Ela teve o alívio de saber que o que provocava seus períodos "Hyde" não eram fraqueza nem falta de vergonha ou caráter. E eu tive a graça de poder dizer a ela o quanto eu a admirava e respeitava e amava. Agradeço muito a Deus por ter tido essa oportunidade. Pois fui muito crítica e dura com a Mamãe por quase toda a vida.
Mas aprendi, também, a tentar não julgar. Nem sempre sou bem sucedida. Julgamentos acontecem e eu tento enxotá-los. É que ninguém sabe o que vai dentro de cada um. Na juventude, tendemos a pensar que sabemos de tudo, temos superpoderes e estamos livres das fraquezas dos demais mortais. Que engano!
Aprendi que sei tão pouco!
Precisei aprender que muitos lugares-comuns só são comuns porque são verdadeiros. A verdade, na maioria das vezes é muito óbvia: a vida é uma escola. A vida é A Escola!
Preciso aprender a ser aluna humilde. Aberta aos ensinamentos. Porque, como mãe, sou também professora. Que eu consiga transmitir aos meus filhos a maior lição de todas: o amor. Amor à verdade, amor ao próximo, amor à vida, amor a Deus.

Mamãe, onde estiver, receba o meu profundo amor!


Foto: Acervo pessoal

sábado, 17 de julho de 2010

FESTA!!!


Puxa vida! Que tempão eu fiquei sem postar!
É que assumi meu "posto" na UFMG. Agora, trabalho em horário integral e ainda tinha que terminar várias atividades da faculdade. É uma barra! Não ter empregada e nem faxineira complica mais ainda. Mas como diz o ditado: piano, piano si va lontano...
E lontano eu vou achar assunto para constar aqui no blog. O assunto é festa! A tia Vera me ligou dizendo que está "agitando" um encontro da família. Que delícia! Quando a Vovó estava conosco, os aniversários eram a deixa para festas fantásticas.Novembro... bando de gente aniversariando... a casa da tia Iris lotada. Muita música, cantoria, piadas, comida e bebida na fartura. Era um deslumbre! Hoje, eu fico imaginando a raiva que os vizinhos deviam ter por causa da barulhada.
Um dia o Papai chegou falando que haveria um grande encontro da família. As "meninas" (no caso, tias Vera, Ismênia, Iris e Maria Virgínia), achavam um horror quando havia algum enterro, a animação do encontro com primos e tios um pouco mais distantes. Pois que houvesse uma ocasião para rever a turma toda, colocar as conversas em dia, contar os casos e confraternizar na circunstância apropriada! Pois a circunstância foi apropriadíssima: que festa! Ver aquele tanto de gente ali, com prazer genuíno, carinho profundo, alegria legítima, não tem preço. Inesquecível ver os abraços estreitos e os beijos estalados. Conhecer parentes que nunca havia imaginado, admirar uma família tão bonita! Quanta saudade!
É claro que em cada encontro será sentida a ausência de mais gente. Lógico que não faltarão as lágrimas que agora mesmo rolam por aqui. Mas não gostaria que morresse junto com todos esses que fazem tamanha falta, a oportunidade de se reforçarem os laços que são tão caros.
Eu sei que meus milhares de leitores não gostam muito de comentar aqui nesse espaço: são tímidos. Mas quem acha que a idéia é boa e está disposto a comparecer, levante a mão! Assim que eu tiver mais novidades, compartilho com vocês, viu? Bacio!



Foto: Acervo pessoal.

domingo, 27 de junho de 2010

Lembranças Preguiçosas




Quando eu era menina, tinha uma preguiça sem noção. Ainda tenho, vou confessar. Para muita coisa. Só que é uma preguiça controlável, mansinha mesmo, porque eu dou um tranco nela, que aquieta. Além da preguiça, era a moleza... Parece que eu vivia em câmera lenta. Quem me vê hoje, não acredita. Sou tão ansiosa que normalmente faço mais de uma coisa ao mesmo tempo só para fazer mais rápido. Pode até ser por preguiça. Quanto antes acabar, mais tempo para ficar sem fazer nada (como se eu pudesse)! Filhos, marido, cachorros (de casa e da rua), gato, trabalho, escola, blogs! Eu ainda durmo! E como (como!).
Mas voltando à lerdeza.
Os meninos são que nem. O Frederico, então!
Foi por isso que eu me lembrei de uma piada que o Papai contava. De uma tartaruga:

Os bichos resolveram fazer uma festa na floresta e faltou açúcar para a caipirinha. Ficou aquela discussão para ver quem ia buscar. Acabaram tirando a sorte e a tartaruga perdeu. Ela tinha que ir buscar o açúcar. Todos prometeram esperar por ela, que prometeu não demorar. E ela demorou! Demorou um dia, dois dias, uma semana. Os bichos já estavam desesperados e começou a reclamação geral. - Que tartaruga lerda! - Não deviam ter mandado ela. - Óbvio que ela não ia ser rápida. E blábláblá, blábláblá... Foi quando a tartaruga pôs a cabeça pra fora de uma moita e disse:
(Nessa hora, o Papai engrossava a voz:
- Fica falando muito aí que eu não vou, heim!


É claro que a tartaruga era eu, né? Mas não é por preguiça que eu não tenho postado muito amiúde. O teclado estragou, o tempo está curto e agora ainda tem a memória que vai falhando. Tanta história do Papai e quando eu vou postar... esqueci!

Mas tem um caso que aconteceu em uma Copa do Mundo.Só não me perguntem em que ano.
Nós fomos assistir ao jogo na casa do Waltinho Magalhães e da Elisa. Uma farra só. Muito tira-gosto, muita bebida, muita animação. E o Brasil perdeu! Eliminado. O Papai, muito p. da vida, mas muito mesmo. E muito "alto" também. Nós morávamos no Colégio Batista e um pouco acima, na rua da nossa casa tinha um bar. No carro, quase chegando, a Mamãe pediu para parar porque precisava comprar cigarro. O Papai ficou com mais raiva ainda. Estava louco pra chegar em casa e ir dormir. Era na descida da rua e o bar ficava à esquerda. Ele resolveu parar na contra-mão, mesmo. Menos de um quarteirão para chegar em casa. Acontece que estava subindo um carro (na mão correta). O Papai cismou que não ia desviar. O outro motorista também achou um desaforo. Ficaram, os carros, ali, a centímetros um do outro. Eu saí do carro e acabei de chegar em casa a pé. Um pouco depois, fiquei sabendo: o Papai desceu do carro, o outro motorista também, a Mamãe(pra lá de Bagdá), a Adriana ... e foi um bafafá geral: sopapos, empurrões, gritos, choro e ranger de dentes. Muito típico. Mas esse caso eu não pude esquecer!

Foto e Foto-montagem (Acervo pessoal + (http://territoriopotiguar.blogspot.com/2009/06/no-passo-da-tartaruga.html)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Teclado Pifou!

Como estou aqui, catando milho no teclado virtual, vou deixar umas tirinhas que eu adoro! Boa sorte, Brasil! (apesar das tiras serem hermanas).













Créditos: Tirei daqui: (http://clubedamafalda.blogspot.com/)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fifi e Gegê




Era uma vez um casal.
Sei que existem muitos outros,
Mas esse era especial
Usei o verbo no passado
Pra começar a história
Mas a dupla é atual

Eles têm cinco filhos
Um desses é o mais legal
Na realidade, é uma
Essa uma, é a Leninha
Por muito e muito tempo
Uma amiga sem igual

A palavra que define
Esse par sensacional
É a generosidade
Que pela graça divina
Explica o que eu considero
Ser excepcional

Gentileza e alegria,
Sinceridade total.
Sempre me receberam
Com tanta espontaneidade
E isso só me inspira
Carinho incondicional

Fosse na casa ou no sítio
Numa época especial
Ou mesmo no dia a dia
Tive exemplos de bondade,
Talento, consideração
E respeito proporcional

Têm os nomes compridos
Isso é circunstancial
Por isso eu abreviei
Por comodismo e ternura
Chamei de Fifi e Gegê
Como forma opcional

Por isso deixo marcado
Nesse blog coloquial
Palavras que encontrei
Em homenagem sincera
A essas pessoas queridas
Com afeto intencional


Eu sei que eles merecem
Mais que um poema ocasional
Mas por enquanto é o que tenho
De mais significativo
Um depoimento simples
Com rima até o final






Fotos: Acervo pessoal.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Crise


A foto aí de cima foi digitalizada pela Isabela - Zumbi e Frederico - "Cereal Killer" do Halloween da escola.



Adolescentes em crise. Dose dupla de rebeldia e drama!!!!
Tudo é injusto, tudo não vale, tudo é ruim.
Não existe meio termo: ou ODEIA ou AMA.
Não tem cinza ou meios tons... só branco-neve ou negro-carvão.
Cadê a heroína?(não quimicamente falando, entendido?)
Cadê a fada infalível? (não visualmente, hã?)
Onde foi parar “gênia” que sabia de tudo?
Virou ameba, estupidificou e está caquética, a anciã!
Outro dia eu ouvi:

- Eu nem pude escolher de quem nascer!

Hum?!?! Qual foi a tortura que originou tamanha declaração?
Simples: Eu chamei a dondoca de Bebela! Pior insulto por essas plagas.
Claro que eu coloquei as mãos no peito e num transe de dor soltei um: AAAIII!
Se eu queria a solidariedade do irmão, fracassei completa e redondamente. O Frederico apenas completou, acabando de enterrar a faca:

- A Isabela, ainda fala. Eu prefiro não falar o que eu penso, senão a senhora ia ficar muito deprimida!

Como é? Heim?
Então é isso.
E quando vem o auto elogio?

- Mãe, a senhora é muito ingrata! Nós somos os filhos que toda mãe queria ter: Estudiosos, nem tomamos recuperação. Não mexemos com drogas e até ajudamos em casa!

Corretíssimo. Só esqueceu de falar da modéstia, né?
Putz... E pensar nos bilhetinhos nos dias das mães! Snif.
Bom mesmo era quando o que eu anotava eram as palavras erradas. Até os erros eram engraçadinhos:

- As pétulas das flores!
- A ecolomiaque deveríamos fazer.
- A feiúra dos pichosnos muros.
- Os beliscos doloridos.
- A mulher ágia que se equiparava ao homem ágil (ágio- na língua infantil).
- O doce de leite começado.
- O Cristo Rebentô de Oliveira.

Tempo bom quando o pesadelo com o “Bicho da Florzinha” era motivo para pular para a minha cama e dormir bem agarradinha!
Tempo lindo quando um menininho de três anos quis me ensinar como parar de fumar, e eu falei que não tinha força suficiente:

- Mãe, a vida é assim: uma pessoa passa força para outra pessoa, que passa para outra... até conseguir!

Pois é. Compartilhem sua força comigo, que ta dureza!!!!
(Por favor, não espalhem, não, mas na minha adolescência, eu fui muito, muito pior!)


Foto: Acervo pessoal.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ela não está vencendo!




Essa foto aí, faz muitos, muitos anos! Estávamos, eu, o Papai, o Américo, a Cláudia e a Kênia, na casa da tia Walquíria. Nessa época, eu não sabia que as pessoas morriam. Quer dizer, a morte não era minha conhecida tão íntima. Depois dessa foto, de tempo em tempo, ela começou a aparecer e a se mostrar para mim. Mesmo assim, não me acostumei à sua presença. Ela sempre me machuca.De alguma forma eu tento mostrar a essa desmancha prazeres que, mesmo quando ela vem, não vence. Enquanto eu os guardar na minha memória e na minha alma, as pessoas que ela tenta afastar de mim, sobreviverão.
Peço a vocês, que leem este blog, que se sintam à vontade para contribuir com histórias, lembranças, fotos, etc. Deixem nos comentários para que eu possa publicá-los. Será um auxílio luxuoso na construção das lembranças.

Ontem, na escola em que eu trabalho, me lembrei de um caso que o Papai contava: Na época em que o Fabinho estudava no Grupo Escolar Rodrigues Campos,num dia em que quis cabular aula (adoro essa expressão!), ele ligou para a secretaria e, disfarçando a voz, falou:
- Estou ligando para avisar que o Fábio Tunes Filho não irá à aula hoje, porque está doente.
A secretária, perguntou:
- Quem é que está falando?
O Fabinho, imediatamente, respondeu:
- Aqui é o meu pai!

Que presença de espírito, heim?!

Então, me lembrei de uma outra história. Essa, não é do Papai, mas de um caso que li no blog do Luís Nassif e que, disseram, foi verdade acontecida:

Numa ocasião, quando chegou a um botequim para tomar "umas", tinha "acabado a luz".
O herói do "causo" pediu uma cachaça e o atendente disse:
- Mas estamos sem energia, 'Seu' Fulano.
Ao que, ele retrucou:
- Eu vim aqui para tomar pinga, não para tomar choque!

Fiquei rindo sozinha... mas eu quero mesmo, é compartilhar essa risada!

P.S.: Me desculpem a falta de atualização do blog, mas está dureza encontrar tempo para postar.
Bom feriado, Turma!

Foto: Acervo pessoal.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Tia Veny



Que eu gosto de contar casos, é mais que evidente. Se for caso de família, então! Divertir e lembrar. Mais que tudo, homenagear quem simplesmente É, ou quem naturalmente FOI a sua própria verdade e, também por isso, dignos de muito amor, muita admiração.

O passar do tempo traz óbvias descobertas: tão ali na nossa frente que precisam de distanciamento para que se descubram os detalhes.

Chega de nhén-nhén-nhén (como dizia uma figura de merecido esquecimento). Vamos aos fatos.

Fato n.º 1:
O meu avô Antônio trabalhava em uma empresa que abria estradas: a finada Construtora Triângulo, do Doutor Edmir Gomes. Faz mais de 70 anos anos, isso. Imaginem a dificuldade, naquela época, de desbravar terras, derrubar árvores, frequentar o lugar-nenhum. A família ia junto! Moravam em acampamentos, meio ciganos, irmãos nas necessidades e nas conquistas de cada quilometrinho - existe isso? A Mamãe era a filha mais velha e quando chegou o tempo dos estudos, teve que ir para um internato. Colégio de freiras, em Goiás. Muito rigoroso, mas onde fez grandes amigas (inclusive aquela da qual veio inspiração para o meu nome!). Todo mês, o Vovô enviava para o internato caixas de doces que a Vovó fazia, frutas e mel que ele colhia nas matas. A Mamãe contava que as freiras adoravam e tinham uma "quedinha" por ela por causa disso.

Fato n.º 2:
Era muito difícil ficar longe da família e então, surgiu a solução perfeita: Ela viria para Belo Horizonte morar com a irmã da Vovó, a Tia Veny.Essa é a personagem da minha história de hoje, que já está ficando muito comprida, mas essa saudosa e querida tia merece cada letra, cada ponto e cada vírgula desse espaço.

Fato n.º3:
A Mamãe foi recebida como uma filha. Nasceu, então, uma amizade e uma ligação além da vida e além da morte. A Mamãe me contava como era grata à tia Veny e o quanto aquele período da sua vida foi importante. Estudava no Colégio Monte Calvário e em casa, aprendia as prendas com a tia. Porque essa tia possuía as mãos mais capazes que se possa imaginar. Seus bordados, sua comida, suas violetas, seu bom gosto. Inesquecíveis!

Fato n.º 4:
Tenho que abrir mais um parêntese, aqui. Como é que, vinda de uma família com os dons de lavores tão perfeitos, eu vim nascer com duas mãos praticamente esquerdas? Mistérios da natureza!!!! Fechando parêntese.

Fato n.º 5:
Mais que lições de artes domésticas, seu exemplo de caráter e de fortaleza moral deixaram marcas profundas. Uma mulher, em todos os sentidos, admirável!

Fato n.º 6:
Te beijo, tia Veny, com muita saudade!


(desculpe, Cristiano, afanei essa foto do seu orkut)

Um casinho, para ilustrar:

A tia Veny foi ao banco, no Barro Preto, fazer um saque. Na porta do banco um ladrão lhe rouba a bolsa. Ele corre atrás do marginal, que dispara e atravessa a Avenida Augusto de Lima. O bandido pula na traseira de um ônibus.A tia Veny para um táxi e diz uma famosa frase: "Siga aquele veículo". Ela o alcança na Praça Raul Soares e, com a ajuda do motorista do taxi, recupera a bolsa roubada. Ela era uma autêntica brasileira, não desistia nunca! Detalhe: ela já tinha mais de sessenta anos.

Créditos Fotos: 1.ª- Acervo Pessoal ; 2.ª- Cortesia Cristiano Gatti

domingo, 23 de maio de 2010

Histórias da Panair



A tia Vera Tunes fez parte da incrível história da Panair, mais uma das vítimas da ditadura (com seus quase cinco mil funcionários). Um tempo que ela guarda e ao mesmo tempo divide conosco: mágicas da memória! Histórias dos colegas que por suas brincadeiras, eram enviados, “de castigo” para as rotas do norte do Brasil, Pará-Amazonas, onde arranjavam outras e mais exóticas brincadeiras:

Existe um tipo de tartaruga, chamada tracajá ou cracajá, que ao eclodir dos ovos, são muito pequenininhas, aproximadamente 6mm. Pois um dos colegas da tia Vera, o Joca, encheu a cama de uma turista americana dessas criaturinhas e ela fez um bruto escândalo, reclamando que a cama estava cheia de pulgas ENORMES!

De outra vez, ele estava levando uma cobra dentro do avião e danada fugiu. Foi descoberta enquanto se esgueirava pelos maleiros que ficam acima das poltronas, provocando a maior confusão.

Um caos aconteceu na ocasião em que uma passageira resolveu contrabandear rãs num vôo que ia para Paris. Alta noite, luzes apagadas, o avião sobrevoava o Atlântico. De repente alguém entra na cabine do comandante para avisar que tem um sapo na poltrona. Um sapo? Impossível! Luzes são acesas. Começa a gritaria. Que sapo, que nada. São dezenas de rãs que estavam em uma maleta que acabou se abrindo sabe-se lá como! E comissárias e passageiros começam uma caçada surreal pelos ares.

Aconteceu numa viagem, uma pane no avião. A bordo, o ator Lex Barker, sucessor de Johnny Weissmuller, como Tarzan. A aeronave ficou em reparos por três dias em Dacar, no Senegal. O comandante brincou:
- Com Tarzan a bordo, só poderíamos mesmo descer na África!
Só que Barker embarcou no mesmo dia para o Brasil, enquanto a tripulação, aproveitou a “folga”. Uns, pegaram o dinheiro das diárias e as comidas do próprio avião e, para economizar, não puseram o pé fora hotel. A tia Vera e sua companheira, uma uruguaia chamada Íris, passearam até! Em Lisboa, antes de embarcar, a íris havia comprado uma metralhadora de brinquedo para dar ao sobrinho e ao passar pela aduaneira, ia metralhando, de brincadeira, os guardas senegaleses que entraram na onda e fingiam que eram acertados e “morriam” levando as mãos ao peito!
Foi muito divertido, contou a tia Vera. Mas mais divertido foi ver, quando os colegas “econômicos” contavam o dinheiro que haviam juntado, notas e notas voando pela praia e sendo apanhados pelas crianças do Senegal. É que eles se reuniram na sacada do hotel à beira mar e, nesta região, ocorrem ventanias muito fortes e repentinas.
Nem dinheiro, nem passeio. Bem feito!


Agora, um caso de Londres.
A equipe de comissários foi passear num daqueles ônibus de dois andares. Um dos passageiros do double-decker , como são chamados, vestindo um terno muito alinhado, com sobretudo e guarda-chuva na mão, havia deixado o seu chapéu coco no banco ao lado. O colega da tia Vera comenta com a turma:
- Vou fingir que não vi e sentar em cima do chapéu desse inglês engomadinho.
Foi quando – surpresa! – o “lord britânico” fala, no mais perfeito português:
- No meu chapéu você não vai sentar, não!
Coisas do tempo da Panair!

Vídeo: Tirei daqui: (http://www.youtube.com/results?search_query=panair&aq=f) e Foto: (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL186281-5602,00-LONDRES+REABRE+MUSEU+DO+TRANSPORTE+ENFOCANDO+METRO+E+ONIBUS.html)