sexta-feira, 25 de julho de 2014

Que haja paz





            Enquanto fazia um bolo, cada xícara de açúcar me amargava a lembrança das crianças palestinas aterrorizadas e massacradas pelo governo israelense. Cada pitada de fermento me diminuía a fé por causa das dores das mães na Palestina arrasada. 
            E o bolo ficou bom. Incompreensivelmente, pois meus sentimentos eram muito, muito tristes.
            Eu pedia, em pensamento, que aquilo tudo terminasse.
            Uma caneca de café quentinho poderia reconfortar meu peito angustiado, mas o que traria paz àquele canto do mundo onde o terror resolveu armar o seu acampamento?
            Eu, que já chorei tantas vezes, ao longo da minha vida, ao ler sobre um povo que era, então, o perseguido, comecei a entender o porquê das vendettas infinitas.
            Mas é insano continuar nesse caminho que só reforça a violência e justifica a dor.
            Então, resolvi dirigir meu filme e imaginei o povo israelense (mostrando ao seu governo genocida que não é cúmplice da tragédia), se dirigindo ao território atacado e protegendo o povo palestino (demonstrando ao seus líderes terroristas que não é cúmplice da violência), se abraçando e apresentando ao mundo atônito e aos aliados de parte a parte na ganância e na indiferença, que o bem não é matéria de governos: é vontade dos povos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Minha Mãe


Ela era minha mãe.
Entre tantos bilhões de seres humanos, calhou ser ela a me parir. E me cuidar. Acompanhar meu crescimento, minhas fases, derrotas, perplexidades.
Concentrou em si tudo que alguém é e pode ser: a heroína, a lutadora, a que tenta, a que busca, a que deseja e a que se cansa.
Me deixou assim, com uma enorme interrogação do que poderia ter sido e o que poderia estar sendo.
Ela se despiu do orgulho de tentar ser perfeita. Foi aquela que intercalava dons com maldições.
Mamãe me conheceu mais que qualquer outra pessoa e, ainda assim, me aceitou.
Eu consegui compreendê-la, admirá-la, amá-la, mas foi tão curto o tempo da trégua!
Ela conseguiu dar o passo que significou sua liberdade e uma vida mais feliz?
Ou ela se deixou tomar pelo medo ou culpa ou resignação? Não faz mais diferença, agora.
Ela foi uma mulher admirável que procedeu lamentavelmente, por vezes. Mas não é assim com todos nós?
Sei que sinto a sua falta. Penso, muito frequentemente, que ela poderia estar dividindo a sua mão mágica para as plantas, no meu jardim.
Imagino ela me fazendo um cafuné, começando mais um projeto e fazendo pão, macarrão ou pastel.
Mas não consigo me lembrar da sua risada (olha que triste)!
Quanto dela carrego comigo, além das lembranças?
Domingo, faz quinze anos que ela se encantou e seguiu por caminhos indecifráveis.
E faz quinze anos que eu perdi um pedaço de mim.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

E eu?




Alguns dizem que eu sou feia, outros, que eu sou bonita e outros dizem que não se importam.
Alguns acham que sou inteligente, mas outros me chamam de burra e tem quem fale que estou na média.
Tratam-me de “você”, porque eu sou muito nova e me chamam de “senhora” já que sou velha.
Tem gente me chamando de gorda e tem gente que acha que “nem é tanto” e ainda quem me jogue um “gostosa” na frente da construção.
Sou rotulada de progressista por uns e de herege por outros.
Sou criticada por rir demais e por reclamar demais, quem entende?
Se quero participar, uns acham que é muito bom enquanto outros falam que é para “aparecer”.
Se eu choro sou uma “manteiga derretida” e se não choro sou insensível.
Se luto por alguma causa, me dizem que é falta do que fazer. Se não me engajo em alguma luta sou alienada.
Se exponho meu ponto de vista, sou intrometida. Se me reservo o direito de não opinar, sou omissa.
Ao assumir minha autonomia, sou egoísta, mas quando tenho dúvidas, sou fraca.
E eu?
Eu escolho a quem dar ouvidos: minha própria consciência.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

E quando eu veganizar?



Desde 05 de fevereiro de 2011 eu não como carnes. Quaisquer carnes.
A primeira motivação foi a piedade. Não quero que a minha vida seja sustentada pela morte.
Depois veio a pesquisa em sites, livros e revistas para melhor compreensão do vegetarianismo.
Depois veio a consciência de que algumas vidas são piores que a morte e a questão da indústria dos laticínios e de ovos fica batucando na minha cabeça!
Eu sei que meus dias de queijo e omeletes estão contados. E aí?
Como é que fica o nome do blog, heim? Heim?

(Estou com uma gripe pior que a mente do Feliciano e não vou conseguir escrever muito, mas vou deixar alguns links para sites e blogs de alimentação que eu acesso. A quem interessar possa.):


http://papacapimveg.com/
http://www.vegetarianismo.com.br
http://www.cantinhovegetariano.com.br/
http://vista-se.com.br/

O símbolo que ilustra esse post é o do veganismo.
Recomendo o vídeo: A melhor palestra que você irá ouvir na vida


segunda-feira, 11 de março de 2013

Cuidado!


Decisões são tomadas e opções são feitas o tempo todo, na vida.
Mas se você resolver tentar ser forte, tentar ser menos dependente, lutar pelo que acredita e encarar seus desafios, cuidado!
Principalmente se se tornar uma “ajudadora”, se acostumar a oferecer a mão, se criar o hábito socorrer ou amparar.
Tome tento. Você nunca mais poderá negar, se eximir ou falhar em sua “missão”. Nessa hora, a sua paga é um olhar ferido, um dedo acusador, um amuo vitimizado.
Você deverá, sempre, estar disponível para socorrer os “fracos e oprimidos”.
Você terá que abdicar de todo o direito que porventura se reserve de dizer não. De dizer, agora não. Em deixar que o outro assuma seu quinhão de responsabilidade ou disponibilidade.
Preste atenção,  que o limite do eu posso será quase sempre confundido com o você tem que.
Mas você também pode optar por se transformar em vilã e, por mais que sinta, encarar que não precisa tanto assim da aprovação alheia. Aliás, isso é uma coisa que você já deveria saber a muito tempo: ninguém precisa. 

domingo, 10 de março de 2013

O poder de uma foto




A única coisa que me separa dos meus sonhos e desejos  chama-se:  realidade.  Ela não entrou num  acordo com eles, o que é uma pena!  Mas, bola pra frente que ainda tem muito chão!
Hoje, calhou de a dondoca, aqui,  lembrar de uma mala lotada de fotos. Foto é coisa muito banal, atualmente. Mas as fotos, a que me refiro, são aquelas das antigas que tinham que ser: 1.º - rezadas! Nada garantia que as ditas seriam bem-sucedidas;
2.º - reveladas. Era caro, pô!
3.º - dependiam de um encontro, pelo menos, para serem compartilhadas.
Mas!!!!! Estamos em 2013. A realidade é virtual. A gente tropeça em fotos, diariamente, minutamente, segundamente!  O tal de  ”compartilhar”  é o maior lugar-comum já que compartilhamos TUDO e mais alguma coisa.
Mas eu encontrei  fotos de antigamente. E isso transformou meu dia em uma viagem.
Vou confessar:  foi muito bom. É muito bom. Quando a gente chega a uma certa idade, o passado é mais ou menos como um álibi. É permitido  o ridículo. É permitida a gargalhada. É permitida a lágrima e o suspiro também. É uma coisa sem remédio, não tem como passar a limpo e, talvez por isso, nos perdoamos ter envelhecido, ter errado, ter  sido e ter acontecido. É uma dádiva sobreviver e, ter convivido com aqueles que se foram. É privilégio.
Eu chorei de tanto rir. Eu ri sozinha. Eu me lembrei.
Lembrei  de pessoas, de lugares, de sentimentos, de oportunidades, de prazeres, de alegrias, de  besteiras e senti gratidão.
Obrigada, d. Vida! “ Tamos” juntas e agarradas enquanto pudermos nos aguentar. E se cada dia me trouxer tanta lembrança boa, que dure muito.
Seja lá como for, só nos resta viver. Que seja plena, a nossa vida, porque a carregaremos na memória pela eternidade.
Se for com foto, melhor!