quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Colóratra



Tá bom, estou apelando e inventando palavras, agora.
Mas, quem nunca inventou uma palavra que atire o primeiro dicionário.
E já que eu toquei no assunto, apelar é comigo mesma. Herança do Papai, o maior apelador ever. Acho que é coisa de exagerados - Baixa um Cazuza, por favor!
Estou sempre a um passo do exagero e do over. Isso quando não atolo os dois pés, de uma vez, na jaca. Se tem coisa que me anima, me afeta, encanta e embriaga, é a tal da cor. Desde pequenininha, lá em Barbacena, eu fanatizava pelo colorido. Ô coisa linda, sô!
Eu me enrolava em milhares (alguns) lenços coloridos e ficava dançando embevecida. Era louquinha com as flores da buganvília da casa da Vovó, que eu chamava de bonina. E sempre, sempre, sempre fui fã de lápis de cor, canetinhas e quetais. Não precisava nem usar: só de ver aquele monte de cores e possibilidades de coloridos já estava bom. Pena que nunca tive o dom ou o talento do desenho e da pintura. Apesar de ter tentado. No Colégio São Miguel Arcanjo só havia dois cursos técnicos: Química e Desenho. Não durou nem um mês a minha vida de aprendiz de artista:  fui “incentivada” a optar pelo de Química!
Fiquei sabendo que as cores têm poder. Que novidade! Elas que já tinham me agarrado "de com força" há tanto tempo! A ponto de querer fazer uma campanha: Vamos colorir as ruas! Acho um verdadeiro horror - de tédio, de falta de graça, de xoxisse (existe isso?)  que nas ruas desse país quase só se vê carros cinza/prata, preto e branco! Nem os táxis amarelos sobreviveram! De uns tempos pra cá surgiram, timidamente, uns carros coloridos pra dar um up nessa selva cinzenta. Um viva para os que ousam sair do lugar-comum!
Pois eu quero é cor. Cor viva, impactante, tropicalíssima, aparecida, cheguei. Dar uma sacudida nos cérebros. Dar uma energizada na vida. Acordar os sentidos.
Há pouco tempo comprei uns tênis cor-de-rosa. Os filhotes reclamaram: Virou fã do Restart? Argh! E eu nem sabia o que era isso! Continuo usando os tênis cor-de-rosa choque que tem nada a ver com gosto musical e sim de gosto de vida!




domingo, 20 de janeiro de 2013

Vórtice, ou: Como conviver com as mudanças





É engraçada, a vida.
Como é mutante, como surpreende e, às vezes, assusta.
Foi sempre assim, viver?
Será que no passado as mudanças tinham um ritmo mais lento? Será que havia mesmo mais constância? Ou a consciência é que demorava mais para fazer "cair a ficha"?
Eu sei que a tal metamorfose ambulante virou coisa contagiosa e a vida, o universo e tudo o mais resolveram assumir a filosofia do Maluco Beleza.
Desde o clima, passando pelas modas, pelas formas de comunicação, tendências políticas, saberes científicos...tudo vai girando cada vez mais rápido como um vórtice que a tudo captura e a todos afeta.
Quem aí já olhou pra alguém muito conhecido e percebeu não reconhecer a pessoa?
Já aconteceu notar que os sentimentos, as certezas, os hábitos, etc, se perderam ou perderam o sentido?
É surreal essa percepção. Uma espécie de acordar súbito de um sono, aqueles sustos do tipo soluço de sonho.
E o jeito é tentar se adaptar rapidinho à nova realidade: da mesma forma como quando estreamos óculos novos (multifocais, para ser mais precisa).
Ou então arrenegar a mudança, enfiar a cabeça debaixo do cobertor e fingir que está dormindo.
Só que isso não funciona... ou funciona só por um tempo, pois ninguém pode ficar dormindo pra sempre ( e nem fingir que).
E como é pegar o foco à unha?
É sacudir a cabeça, olhar meio de banda até colocar em perspectiva e analisar a situeichom.
A mudança foi pra melhor? Foi uma evolução?
Sim.
Você quer evoluir junto?
Sim.
É possível?
E por aí vai...
Ou:
A mudança foi para pior? Foi retrocesso?
Sim.
Você aceita involuir?
Sim.
Vai fundo. Tem gosto pra tudo.
Ou:
A mudança foi pra esquerda? A sua curva é pra lá também?
Sim.
Vamos mudar juntos!
Ou:
Não.
Obrigada, Camarada, foi um prazer.


P.S.: Mas antes e acima de tudo: RESPEITO, pô!



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ondas




Ondas. Ondas.
Incessantes, perturbações oscilantes.
Eu queria, como os surfistas, parada sobre a prancha, ser capaz de analisar o mar e estar preparada para aproveitar o exato momento de fazer da onda meu veículo para,  apropriando-me do desafio do equilíbrio, ser conduzida à praia, cansada, mas  satisfeita.
Concentração e entendimento dos movimentos das marés, tão necessários para evitar sofrimentos e surpresas negativas.
A bem-vinda estrutura que me permitiria não incomodar quem quer que seja.
Que me impede disso? Otimismo ilusório? Inocência inoportuna? Estupidez?
É dolorido confiar. Inescapável, no entanto.
Como estar sempre alerta? De que jeito ficar preparada?
Marola ou tsunami, de qualquer maneira somos afetados. E ninguém está a salvo do efeito da maresia.
Mas eu queria estar mais preparada.
Eu queria não precisar de amparo. Somente remar e, num impulso, enfrentar o sal e o sol.
E ter a pele curtida. Aguentar o tranco e os caldos.
Ser capaz de sob nuvens chumbo fazer face ao oceano, ao mar.
Ondas. Ondas.

Eu já sabia disso: uma após outra, revezamento entre a calma e a tempestade, mas tudo lembra que ao ato de navegar é que mais se assemelha a vida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ontem, estive feliz



Ontem, eu estive feliz.
Isso é importante porque foi o primeiro dia do ano.
Estar feliz é uma conquista. Portanto, já comecei o ano conquistando. Isso é um ótimo sinal.
Minha felicidade de ontem não foi uma conquista individual. Foi fruto de uma construção coletiva. Melhor ainda pois dividida. Que significa ser multiplicada.
Cada sorriso, cada riso, cada gargalhada tomou asas e foi voando pelo céu azulíssimo azulérrimo lindo e quando chegou em um certo lugar, foi recebida, abraçada, admirada e devolvida ainda mais exuberante (com as bênçãos de uma outra turma que, por sua vez, comemorava a nossa felicidade aqui).
Ontem, eu  tive fartura: de comida gostosa, de bebida gelada, de beijos estalados, de abraços de tamanduá e de carinho legítimo.
Que significa a grande capacidade de "suportar" as alegrias.
Ontem, eu revi pessoas e revivi encontros. E rememorei outros tempos e renovei meus laços. Como deve ser. Como precisa ser, porque de efêmeros contatos minha vida anda "por aqui"!
O que significa que eu preciso de algo mais que um aceno ou um tapinha nas costas.
Ontem, eu convivi com crianças lindas e completas na sua ingenuidade: o que eu já fui.
Compartilhei momentos com a moçada ávida de diversão e música: como eu já fui.
Comemorei com "coroas" plenos de consciência da importância de estar juntos: como eu sou.
Me comovi com os "velhos" esbanjando energia de viver e alegria: como, espero, serei.
Ontem, eu estive muito feliz!
Hoje, estou grata por ter-me permitido viver esses momentos.
Turma daqui: Obrigada pelos deliciosos momentos.
Turma de acolá do além: Obrigada por terem proporcionado tal oportunidade!
O que significa que eu tenho perspectivas enormes de um ano inteirinho para sentir gratidão.