domingo, 24 de outubro de 2010

Cor-de-rosa


Pela campanha de conscientização dos riscos do câncer de mama.
Esse post é pequenininho, mas a batalha é enorme. Mulheres cuidando de si e se responsabilizando, sempre, pela escolha da Vida!

Foto: Estava na internet para ser copiada mesmo. E sem autor!

domingo, 17 de outubro de 2010

Quero a simplicidade


Nesses dias de tantas informações e sofisticados dilemas. Numa era marcada por tecnologia de ponta, avanços científicos e na qual o tecido é inteligente mas desaprendemos que o vestir é mais do que seguir a moda. Quando salgadinho de milho tem sabor artificial de churrasco, é mais do que a carne que é fraca. De repente a gente descobre que decorou as senhas de três cartões de crédito e de seis sites mas que não sabe mais nenhuma poesia. Nos arrepiamos por saber que nossos filhos já discutem sobre sexo, drogas e rock'n roll e acham que brincar de roda é a coisa mais besta do mundo. Já tem carro que estaciona sozinho e tem gente que põe a banheira da "hidro" para encher de água à 38 graus, pelo controle remoto. Descobrimos que os alimentos funcionais funcionam e o botox rejuvenesce 20 anos em 30 minutos. Mesmo que as viagens espaciais já são quase uma rotina e que o primeiro bebê de proveta já não é confiável porque tem mais de 30 anos, o que eu quero mesmo é a simplicidade.
Quero de volta o meu céu estrelado de verdade e não ofuscado por milhões e milhões de lâmpadas de vapor de sódio. Quero o vestido de algodão fresquinho. Quero as jabuticabas colhidas na hora, logo depois da chuva, e engolindo as três primeiras com casca, para não entupir. Prefiro o meu chá quentinho em vez do antibiótico. Cadê as serenatas? E os assovios chamando nas ruas para a reunião da turma? Acho preciosa a fotografia amarelada, com dedicatória escrita naquelas letras lindas, com caneta tinteiro. Aliás, amo as fotos antigas que me contam histórias secretas, cheias de emoção e esperança. Me deitar em lençóis branquinhos, cheirando a alfazema. Quanta expectativa num copo de água que tem mergulhada uma bolinha de massa de pão! Ninguém me impeça de pisar nas folhas secas, crocantes. Me desafiem com um novelo de lã embaraçado. E me contem de heroísmo, de crianças aprendendo a falar, do nascimento de gatinhos ou cachorrinhos e piadas de papagaio. Quero o sol sem câncer, o passeio a pé e a água pura. Alguém me diga que a blusa bordada com linha de seda foi "vovó quem fez"! Quero ver a criança com o joelho ralado pedindo para soprar. Não me importa saber que o soluço é uma reação do diafragma: quero é colar, com cuspe, um pedacinho de papel na testa do bebê. Me convidem para ver o pôr do sol entre dois morros, como os desenhos de antigamente. Acima de tudo, me falem da confiança. Me prometam que os sentimentos ainda perduram.
Me garantam que a amizade e o afeto são a maior novidade do pedaço.

A foto, eu tirei daqui: http://www.desiretoinspire.net/

domingo, 10 de outubro de 2010

Quem dera!




- Oi, Pai! Que saudade!
- Oi, Bichinha! Também estou com saudade! Eu te vejo sempre, mas assim, conversando é bem diferente!
- Como o senhor está? Feliz? Em paz?
- Muito, filhinha! Eu era meio cabreiro, você sabe... Céu, anjinhos... assim... frapê... sabe como, né? Chazinho, umas harpinhas meio delicadas demais... Não punha muita fé. Mas que nada, aqui é muito é bão!
- Mesmo? Ou está só querendo me tranquilizar?
- Mesmo! Muuuita pescaria, clima muito bom, fresquinho. Neca de mosquito. Cada peixe bitelão! E pra melhorar, é só companhia boa chegando. O Rúbio, foi o último. Que supresa mais bacana! Eu e o Eduardo, a Walquíria, a Mamãe, a Olga, o Carlito, o Walter,a Iris, enfim, nós todos, quase caimos pra trás! Tudo bem se tivéssemos caído, mesmo. Nada que a gente faça aqui, machuca. Não tem frio, não tem calor, nem pressão alta, diabetes, dor, nada, nada disso!
- Sério, pai?
- Bem, sério não é. A gente ri muito, conta piada, relembra muita história e, na dúvida, tem um serviço aqui, que é sensacional. Chama "Re-Vero". É só querer que aparece um anjo (na verdade não dá pra saber se anjo ou anja, mas é cada um mais bonitinho que o outro) e carrega tipo uma tela de TV (parece até aqueles filmes de ficção) fininhas... E passa direitinho a cena que a gente pediu em 5 dimensões.
- Ah, deve ser parecido com LCD. Aqui na Terra já tem. Ainda custa um pouco caro, mas já é bem comum.
- Você que dizer plasma? Eu já tinha ouvido falar quando ainda estava aí.
- Não, Pai. Plasma já está ultrapassado. LCD é cristal líquido, muito mais avançado! Mas só em 3D. E assim mesmo, tem que usar uns óculos especiais.
- O pessoal aí também não para de inventar, né? Mas a turma aqui põe qualquer um no chinelo! Pois então, voltando à vaca fria: não fica nem uma duvidazinha. Por isso é que mentira aqui, não pega. Nem inveja, porque não tem motivo. Nem raiva - ou ira, como eles dizem. Sabe aquela minha mania de apelar? Parei com isso.
- Que coisa!
- Pois é. Não tem nem oportunidade de cometer qualquer pecado. É tanta coisa boa que ninguém se preocupa em perder tempo.
- Perder tempo?
- É modo de dizer... Você já sabe: é aqui que mora a eternidade.
- E o resto do pessoal que foi pra aí? Como é que estão? Onde estão?
- Isso é o melhor de tudo. Tá todo mundo aqui, mesmo. Hoje, inclusive, foi uma turma grande fazer uma excursão para um lugar muito popular. Na verdade, vai mais é a mulherada... Lá é cheio de flor, muita música, essas coisas... Lembra muito o Éden, só que sem o Adão e sem a Eva. Como eles já avacalharam com um, estão proibidos de entrar nesse.
- Hahahah... Compreensível!
- Hehehe... Pegou a ironia, né?
- O senhor não perdeu a verve!
- Nem te conto! Tem dia que eu acordo "aspirado" (como dizia o Tortinho). A gente junta e é uma farra tremenda! Muito chope. Muito sambinh...
- Epa! Chope? Tá brincando! Não vem, não!
- Tá. Pode não ser chope de verdade. Mas é igualzinho! Então, pra mim - e pra quem gosta - é! Um sabor... hummm... uma temperatura!!! Sabe, cu de foca?
- Que isso, Pai? Palavrão no Céu?
- Na-na-ni-na-não! Aqui não existe palavrão. Nada que você diga é palavrão. Aqui não tem maldade! Tudo é natural. A gente come, bebe, se diverte, ri. Tudo na medida certa. O errado é passar dos limites. Errado é prejudicar os outros. Isso, não acontece aqui. Se uma palavra não agrada a um ou a outro, essa palavra não chega aos ouvidos da pessoa. Ela entende o que lhe agrada. É como se fosse um tradutor particular e especial. Por isso aqui não tem essa separação de idiomas e países. Pode vir um ex-russo conversar comigo que eu entendo tudinho o que ele fala! Você não imagina a quantidade de amigos que eu já fiz aqui!
- Que bom!
- É. Eu só não fiquei surpreso quando cheguei, porque, antes, a gente faz um tipo de cursinho. Que é pra preparar e ir deixando de lado aquelas picuinhas e manias que todo mundo tem. Você, literalmente, lava a alma! Vai se limpando dos vícios e mágoas. Começa a compreender o que realmente importa. Quando entra aqui, é só pra se sentir bem.
- E saber o que está acontecendo na Terra? Não causa sofrimento, não?
- Não. É porque como a gente já sabe qual o propósito das coisas acontecerem, fica todo mundo tranquilo. O que traz sofrimento é não saber. Não compreender o porquê de certos acontecimentos. Aqui, a turma inteira já sabe que o Todo Poderoso - eu chamo Ele de Chefe - é perfeito, mesmo!
Tudo mundo já está careca de saber que no fim, dá tudo certo!

Foto: Achada na internet, admirada, copiada e não creditada por não saber a autoria.