sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quatro Anos!


Há quatro anos eu segurei pela última vez aquela mão enorme entre as minhas.
E senti meu coração esmagado quando vi, por uma fresta na porta, os médicos desligarem o monitor, quando o coração dele resolveu que era hora de descansar. Foi a quatro anos atrás a vez derradeira em que eu senti o calor da sua pele e afaguei seus cabelos brancos, suados, mas macios. E foi minha, cheia de amor e preocupação, a última voz, conhecida, que ele ouviu.
Por todo esse tempo eu quis ouvi-lo me chamando de "Bichinha" ao telefone. E desejei escutar: "Eu já te contei aquela?" E ansiei ver seus bolsos cheios de balas para os netos. Ter um vidro de pimenta reservado, na cozinha, para ele.
Ele teria adorado o apartamento que eu e o Léo compramos. Ele viria repartir conosco e com a Rosa e o Renê, nossos vizinhos, os momentos "gourmet", as histórias, os casos, as anedotas. Ele estaria exibindo e estragando a Maria Eduarda, a bisneta que não conheceu. Sentiria orgulho da Adriana. Faria adereços para o Leozinho se apresentar no Excalibur. Tentaria ajudar o Eduardo a dar um rumo na vida. Ampararia o Fabinho, mesmo se desentendendo com ele. Ele teria, muito provavelmente, adotado a Pietra, a cachorrinha da rua que eu adoro e de que cuido. Teria "altas" conversas com o Frederico e provocaria gargalhadas na Isabela.
Eu sonho e sonho com ele.
Ele está sempre muito feliz.
Eu estou feliz por tê-lo encontrado.
Eu sou feliz por ser sua filha.
E ele faz muita falta!


(Crédito da foto: Ricardo Aluotto)

2 comentários:

  1. Estou completamente arrepiada ja tem uns 5 minutos...dos pés à cabeça literalmente!!! É...sinto muita falta tb...sem mais comentários, somente lágrimas...

    ResponderExcluir
  2. Como faz falta, fiquei muito emocionada, tinha me lembrado e depois esqueci de novo, até entrar no blog...

    ResponderExcluir