domingo, 1 de agosto de 2010

Tapinha dói, sim!


O Papai não batia nos filhos. Ele tinha medo, dizia. O Fabão era forte demais e quando perdia a calma, era perda total, como nos relatórios das seguradoras. Ele também se lembrava das surras recebidas de seu pai, o vovô Carlos, "um touro", como se falava. O Vovô agarrava os filhos pelos cabelos e descia a mão... O Papai contava de uma vez em que tentou se esconder na "casinha" (sinônimo de banheiro) e não foi rápido o suficiente: O Vovô, com uma só mão, arrebentou a corrente da descarga e deu o "corretivo" de praxe.
A Mamãe, ao contrário do Papai, era adepta da educação das antigas: vara de marmelo, cinto de couro, chinelo, fio de ferro-de-passar-roupa (eles se desconectavam do aparelho e eram revestidos por um tipo de tecido). Depois da surra, vinha o complemento: banho de água com sal para diminuir os vergões!
Eu não bati e não bato na galera aqui de casa. Tenho aversão à violência. Não sei se fiquei com alguma sequela (putz, devolvam o trema!!) psicológica por ter apanhado, mas sei que era horrível demais.
Agora veio uma lei para impedir que as crianças sejam castigadas fisicamente ou por qualquer outra forma cruel e abusiva. E assim começa uma polêmica: a interferência do Estado no privado direito dos pais educarem seus filhos da maneira que bem entendem X A necessidade de castigos físicos para a educação das crianças. Mais ou menos como a equação: 1+1=B.Ou, o que é que o *(piiii) tem a ver com as calças?
De qualquer forma, como muitas outras, no Brasil, nada garante que a lei vai "pegar" - mais uma muda na horta legislativa nacional!
Entendo que educar passa muito além de palmadas e surras. Limites não precisam ser tão, digamos, explicitamente colocados. E a discussão vai muito além.
Só que isso me fez lembrar que, antigamente, alguns castigos fizeram escola. De beliscões fininhos, com as pontas das unhas a outros grossões, com o polegar e o indicador inteiros como protagonistas. Ajoelhar em milho ou feijão. Lavar a boca com sabão, para não falar palavrão. Comer cigarro, para não fumar. Minha avó Geni, fez a Mamãe e o meu tio Carlinhos comerem o resto de um tacho enorme de doce de leite para eles nunca mais brigarem para raspar o tal tacho. Isso tudo, hoje em dia, virou folclore, mas casos pavorosos saídos das páginas policiais nos alertam que a barbárie humana não é ficção ou piada familiar.
Com a lei ou sem ela, carinho, já!

Foto: Tirei daqui: (http://conexoesinevitaveis.blogspot.com/2010/08/educacao-um-tapinha-nao-doi-sobre-lei.html)

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