sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quaerere





As mães, como todo ser humano, se constroem. Afinal, são seres humanos, não?
Apesar de todo esse blábláblá, de padecer no paraíso, anjos de ternura e tal, ninguém nasce com um ovinho de mãe enterrado em algum lugar do cérebro, fígado ou coração, que depois, no momento mais propício, vai eclodir e transformar aquela mulher numa “palavra mais linda” com o “avental todo sujo de ovo” e o “chinelo na mão”.
Conheci exemplos de mães capazes, carinhosas, trabalhadoras, compreensivas, sábias, protetoras, corajosas. É que essas mulheres se tornaram capazes, carinhosas, sábias, etc. Também soube de mães egoístas, estúpidas e covardes.
Mães são mulheres que, por acaso ou por determinação, se encarregam de cuidar de outro ser que depõe sobre elas a sua vida. E aí que se dá o milagre! A consciência, ou não, da inigualável responsabilidade – para todas – e prazer – para algumas.
A luta diária de fazer escolhas: Dormir mais um pouquinho ou atender ao chamado de um bebê encharcado de xixi? Assistir um capítulo da novela ou acompanhar um dever de casa cheio de garatujas? Tomar um banho demorado ou ouvir, pela milésima vez, como foi lindo “o gol que eu fiz”? Comprar aquela caixa de bombom em oferta ou mais uma dúzia de ovos? Ir às reuniões da escola ou dar de presente aquele celular da moda? Repreender ou fingir que não viu? Dar um tempo ou tem que ser agora?
A percepção ingrata de que pode não haver escolha: Trabalhar o dia inteiro e deixar a filha na creche. Levantar de madrugada para conseguir uma consulta médica no posto de saúde. Perder o jogo final do campeonato, prometido ao filho, por causa do plantão no trabalho.
A possibilidade de que, mesmo tentando fazer as melhores escolhas, nem sempre o resultado seja o esperado: É a reprovação no final do ano. É o cigarro escondido na mochila. É o namorado esquisito. É o preconceito demonstrado pelo coleguinha.
Não é possível saber ser mãe. Necessário é querer ser a mãe possível mesmo tendo nas mãos, ou sendo no íntimo, um ser tão cheio de incertezas. Aceitar o aceitável e batalhar incansavelmente pelo modificável - e conseguir distinguir um do outro.
Não há segredo algum e não há resposta! Só há desejo. De ser melhor ou mesmo de ser suficiente. De contribuir pela formação de outro ser que também queira se aperfeiçoar. Que também queira ser mãe – ou pai – ou pessoa – consciente.
Por isso ou agradeço à minha mãe, que com tantas qualidades e com tantas imperfeições me ajudou a ser uma pessoa que quer ser melhor e que tenta transmitir esse querer aos filhos.
Agradeço por ter tido e ainda ter, tantos exemplos a me guiar. Não tenho condição de nomear todas. Felizmente, são tantas!
A cada uma delas, uma flor de ternura e agradecimento!




Fotos: 1.ª - Acervo pessoal - 2.ª - Tirei daqui: (http://wohnidee.wunderweib.de/dekoundgastlichkeit/bildergalerie-941659-dekoundgastlichkeit/Sommerblumen-Jetzt-blueht-uns-was.html)

Um comentário:

  1. LEGAL! Acho que me encaixei em alguns pontos...
    Tambem quero agradecer a voce mais uma vez por essas coletaneas maravilhosas. Confesso que todos os dias visito o blog,e com avidez de criança, fico ansiosa por mais e mais informaçoes e lembranças!!!Tks!! Parabens mamy!!

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