sexta-feira, 18 de julho de 2014

Minha Mãe


Ela era minha mãe.
Entre tantos bilhões de seres humanos, calhou ser ela a me parir. E me cuidar. Acompanhar meu crescimento, minhas fases, derrotas, perplexidades.
Concentrou em si tudo que alguém é e pode ser: a heroína, a lutadora, a que tenta, a que busca, a que deseja e a que se cansa.
Me deixou assim, com uma enorme interrogação do que poderia ter sido e o que poderia estar sendo.
Ela se despiu do orgulho de tentar ser perfeita. Foi aquela que intercalava dons com maldições.
Mamãe me conheceu mais que qualquer outra pessoa e, ainda assim, me aceitou.
Eu consegui compreendê-la, admirá-la, amá-la, mas foi tão curto o tempo da trégua!
Ela conseguiu dar o passo que significou sua liberdade e uma vida mais feliz?
Ou ela se deixou tomar pelo medo ou culpa ou resignação? Não faz mais diferença, agora.
Ela foi uma mulher admirável que procedeu lamentavelmente, por vezes. Mas não é assim com todos nós?
Sei que sinto a sua falta. Penso, muito frequentemente, que ela poderia estar dividindo a sua mão mágica para as plantas, no meu jardim.
Imagino ela me fazendo um cafuné, começando mais um projeto e fazendo pão, macarrão ou pastel.
Mas não consigo me lembrar da sua risada (olha que triste)!
Quanto dela carrego comigo, além das lembranças?
Domingo, faz quinze anos que ela se encantou e seguiu por caminhos indecifráveis.
E faz quinze anos que eu perdi um pedaço de mim.

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