quarta-feira, 10 de março de 2010

Pequena Análise Fabal






No domingo passado fui à casa da tia Maria Virgínia. Foi um aconchego, um carinho, uma alegria, um desfrute! Entre uma cerveja e outra, interrompidas por uma Torta de Temperos salgada da pontinha da língua. Entre uma Carne ao Molho Madeira maravilhosa e um macarrão supimpa, ela foi relembrando várias histórias do Papai. (Dá pra perceber que, não era só o Papai que era bom de garfo? Filha de peixe...).

Só que eu acredito que a sede, junto com a vontade de comer do Papai, era antes de tudo, apetite de viver. Ele tinha uma ânsia tão grande, uma curiosidade tamanha, que parecia que era seu coração sempre dizendo: Vai, Fábio, se jogue! Aproveite! Mais!

Estava sempre atento. “Cavacava” novidades, inventava aparelhos, adaptava equipamentos. Nada para ele era definitivo: tudo era provisório, pois poderia evoluir e se transformar em algo completamente diferente. Dá para entender?

Ele também tinha uma leve pesada tendência a juntar coisas. Ele detestava jogar objetos fora. Sempre achava que poderia aproveitar para qualquer finalidade. Pois, saibam, ele era uma espécie de colecionador. Colecionava ferramentas, piadas, revistas, vidros, pregos, histórias, parafusos, caixas, casos, madeiras, etc, etc, etc... Tudo organizado de forma absolutamente aleatória. Ou seja, organizado de maneira nenhuma. Quer dizer, bagunçado. Melhor: um CAOS!

Seus equipamentos de pescaria competiam em variedade, quantidade e desorganização. Anzóis misturados com linhas, misturados com iscas (artificiais, massinha de farinha, massa de vidraceiro, minhoca, coração de boi, etc.) que ele embolava tudo e jogava dentro de qualquer sacola de plástico, mesmo tendo embornais e caixinhas cheias de divisões - a propósito - imundas!

Falando em pescaria... Ele topava todas. E acho que nem tanto pelos peixes, porque muitas vezes ele voltava cheio de frutas, queijos, doces, linguiças e cositas mas e... nenhum peixe. Nenhunzinho!

Foi numa pescaria com os filhos da tia Valquíria que aconteceu uma cena inacreditável: Estavam dentro do barco: Papai, o Juca, o Rubinho e não sei mais quem. De repente, o barco sofre um tranco, o Rubinho cai no rio e o Juca, com sua atenção toda especial, nem percebe. No maior sacrifício e correndo um risco enorme, o Rubinho consegue nadar de volta e quando o Juca o vê subindo no barco, encharcado e sem fôlego, pergunta calmamente espantado:

- Uai, que “cê” tá fazendo aí?

Outra do Juca?

O Papai havia pedido um favor para o Juca, e nada ...Então, um tempo depois, ele perguntou:

- Ô, Juca, você fez o que eu pedi para você?

E o Juca, com a mão no queixo, acenando positivamente com a cabeça, fala na maior calma:

- Esqueci com-ple-ta-men-te...

Que saudade!


Fotos: Acervo pessoal.

4 comentários:

  1. Que bom Favrinha... são tantas as lembranças e tantas saudades desses tempos, que as vezes me pego com uma lágrima rolando pelo rosto...Mas esse blog é 10!! Incrivel falta nos faz o Fabão...

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  2. O engraçado é que eu fico esperando ansiosamente as atualizaçoes, so pra "curtir" a saudade um pouquinho mais. Outro dia encontrei com a Cassia (do Tio Renato) e ficamos conversando sobre o blog, ela disse que, apesar de nao segui-lo, tem lido e curtido cada uma das postagens. Vamo pra frente que atras tem gente!!!!!!!!!!!!

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  3. Oi Flavia,
    como prometido só estou passando para agradecer à sua visita e o seu carinho, muito
    obrigado.

    Beijinhos
    Pam
    www.pamelabrandao.com/receitas

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  4. Nossa! Ele era realmente maravilhoso! Tio Fábio! Pena que morávamos tão longe! Quase sem contato! Mas também quando nos víamos era um momento precioso, assim como vovô. Passamos foi bons momentos viu!
    Quanto a este blog, era só o que faltava para conhecer mais do Tio. Uma tristeza por saber que momentos assim se passaram e não tinha nada para se contar de uma lembrança juntos(minha e dele)... Agora é... curtir os filhos que o tio deixou aqui... Como vc prima Flávia que amo muito, e que com tanto amor se dedicou e ainda o faz neste blog,( trazendo a nós lembranças lindas e momentos incríveis, da prima Adriana, que é um doce e quem eu amo de montão...rimos muito já... e o Primo Fábim... ai que saudade! Também sinto muito a falta de estar com vcs...
    Deixo aqui este depoimento, e parebenizo a criação deste blog.
    Jóia demais.
    Bjão

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