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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Frigir dos Ovos



Hoje, fica a dica do Beto Magalhães, primo querido e divulgador-mor do Só Se For Com Queijo.
Quem souber da autoria, é só por a boca no trombone... que a gente coloca os pingos nos iii - para sair do assunto comilança!

Pergunta:
Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?


Resposta:
Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco... Já ia me esquecendo, quem tem olho grande não entra na China.

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?



Beijo, Beto!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Escrever colorindo





Pegue 3 espelhos de 15 X 4 cm aproximadamente.
Junte-os na forma de prisma com a parte espelhada para dentro.
Pera aí... Para tudo!
Vou dar passo-a-passo não. Brincadeira!
É que o assunto hoje, é caleidoscópio.
Um artefato fascinante, lindo e surpreendente que muda e transforma irrepetíveis, coloridos e brilhantes padrões.
O assunto também pode responder quando o Frederico e a Isabela ficam me perguntando por que eu mantenho o Só Se For Com Queijo, com seus 30 imutáveis seguidores (sendo que, por incompetência minha, 3 deles sou eu mesma! Hehehe).
Então está aí. O blog para mim funciona como juntar 26 pedrinhas mágicas e alguns acessórios (... : ; ! ? - " ") e criar um mundo de cor, sonho e forma. Pintar um quadro com o presente e com o passado (esse meu refúgio que por mais triste ou confuso tenha se mostrado, foi meu e dele saio inteira: sobrevivi).
Além de tudo, esse caleidoscópio eu posso compartilhar. Posso alegrar ou comover. Posso despertar lembranças ou estimular decisões.
É um espaço querido, onde recebo olhares e carinhos que a nossa correria diária não permite. Mantenho contato, convivo.
Aos meus 27 seguidores e aos que com eles me fazem companhia na minha "arte", beijos de 'muito obrigada '!...!"!..."! (só para enfeitar...).

sábado, 9 de abril de 2011

Coisas



No mundo existem pessoas, animais e coisas.
As coisas podem ser, coisas que ocorrem: "Me aconteceu uma coisa estranha...", ou coisas...coisas: "Me passe essa coisa aí."- que para nós, mineiros, pode ser traduzida por 'trem' - e coisas sentimentos: "Nunca senti uma coisa tão forte!".
Coisas, pessoas e animais se juntam e passam a ter o nome de causas e consequências.
E aí, as coisas começam a complicar.
Como separar e descobrir o que é um, o que é outro?
O que é um beijo? É a causa de uma paixão ou a consequência de um encantamento?
A reprovação no final do ano é a causa de lágrimas ou a consequência da falta de compromisso? A fé que cura, a crença que destrói.O que causa a guerra? Quais os frutos da ambição? A escravidão provocou a miséria, mas o que trouxe à escravidão?
O macaco veio antes, persiste durante mas, existirá depois do homem?
Acredito piamente que uma das minhas maiores missões é mostrar para a Isabela e o Frederico que tudo, tudo mesmo, tem uma razão. E, principalmente, tem um efeito em nossas vidas. E que temos em nossas mãos a responsabilidade de escolher, porque depois disso feito, o resultado terá, obrigatoriamente, a cara, a voz, o toque, a cor, o som e o sabor da nossa escolha.
A minha cara feia e o meu sorriso fecham e abrem portas. A minha mão estendida levanta ou empurra. O fogo incendeia e assa. O vestido cobre e desnuda. O professor que grita e o pedreiro que ensina. O gato que espreguiça e o touro que chifra. O átomo que cria a vida e Hiroshima. Os amigos amparam e colegas podem ferir. O poder que distribui e o que rouba.
As pessoas, os animais e as coisas. Estão todos aí.
Qual a qualidade dos laços que os unem?
Qual será, meu Pai, a minha herança? Que coisas marcarão o meu legado?
A flor, o cão, a risada, a confiança.
O breu, a ira, a humilhação e lágrimas amargas.
Quantos plantarão um bebê sorrindo num parquinho ensolarado?
Quantos colherão uma arma avermelhando os uniformes?

sábado, 2 de abril de 2011

Inseparável




Ela me espreita do canto do quarto. Fica com o olho comprido e quando eu menos espero... vupt: Pula no meu cangote e me esgana o pescoço.
Às vezes, fica debaixo da mesa. Como quem não quer nada, passeia por ali e, num instante já me pula no colo.
Algumas ocasiões, fica gritando no meu ouvido. Outras, me sussurra como em um sonho. Anda dentro da minha bolsa, compartilha a escova de dente. Senta perto de mim na poltrona e até frequenta a bancada do computador.
Escandalosamente me recorda as falhas. Não me polpa de sua presença nem nos finais de semana ou feriados. Quando eu acho que tirou umas férias, era fingimento... "olha eu aqui 'traveiz'".
No trabalho, costuma me esperar dentro da gaveta ou até mesmo em cima da mesa, ó que ousadia! Na sala de aula, fica dentro do caderno, igual àquelas flores secas que a gente costumava guardar de recordação.
Sai de dentro do saleiro, na cozinha. Ou da lata de leite condensado. Adora ocasiões especiais e festas. Nessas horas, já achei a danada na espuma do chopp e até mesmo debaixo de um granulado do brigadeiro. Normalmente do oitavo. Ou décimo quinto... sei lá.
Já me perseguiu no shopping. Livraria, então! É infalível.
À noite, quando eu vou beijar os meninos adormecidos, ela fica pairando sobre a cama.
Quando estou atrasada. Quando estou com raiva. Se eu sinto preguiça ou mesmo se estou muito feliz. Ela arranja qualquer pretexto. Só não me deixa.
Me aponta a pobreza. Me mostra o desperdício.
Me sacode no sono, às vezes de madrugada!
Late junto com os cachorros, quando eu chego tarde, à noite.
Mia com o gato, pela manhã, pedindo comida.
Me acusa cheia da terra que ressecou nos vasos das plantas.
Me repara a roupa larga, me chama a atenção para as unhas sem esmalte e a cara lavada.
Fica horrorizada com meu comportamento tão... povão! Rosna para minhas atitudes politicamente incorretas. Joga o dicionário e a gramática na minha cara.
Se intromete no banheiro e na minha conta corrente.
É atrevida, irônica, maldosa e, principalmente, não tem cerimônia alguma.
Eu já tentei penitências, indiferença, terapia. Antidepressivo, torta de chocolate e até jejum. Já implorei, fiz ameaças e até arrisquei um pacto. Mas não tem jeito.
Essa culpa não me larga.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Poder de Fazer Bem



O Papai foi um profissional espetacular. De suas mãos saíam trabalhos lindos. Herança, claro! O Vovô Carlos foi um artista em marcenaria (qualquer dia eu conto do retrato, em marchetaria, que ele fez do Juscelino Kubitschek) e a Vovó Meca, nem da para explicar os primores que faziam suas mãos. Porém, como comerciante... ele era sofrível! Quem tomava frente dos negócios era a Mamãe. Enquanto ficaram por conta do Papai, só pra ilustrar: moramos de aluguel em cada barracão que vou falar.. Melhor, não vou falar, não. Pois é.
Quando algum freguês (naquele tempo não era cliente, não, era freguês, mesmo (igual o CAM) - ficava devendo, o Fabão mandava à (ou pra) pqp e f.... e @#$#@$%$#¨$! A Mamãe, não. Ela negociava, conversava diplomaticamente até conseguir receber.
Só que teve uma vez que ela desistiu. O cara era um ... deixa pra lá... Quem ler esse post aqui terá ideia do que desistir significava para a Mamãe.
Só que eu estava muuuito interessada na grana e pedi para tentar receber: caso positivo, o dinheiro seria meu. Tá? Tá. Então fui eu (deveria ter uns 14/15 anos) para o Mercado Novo de BH, disposta a descolar uns trocados e já preparada para enfrentar um caloteiro. O box do dito cujo estava fechado e o seu vizinho disse que ele ainda não tinha aparecido lá naquele dia, e havia chance do individuo aparecer. Resolvi esperar e, enquanto isso, fiquei olhando aquele homem desmanchando caixotes velhos de madeira, descartando as tábuas (táuba, pro Papai) estragadas e aproveitando as ainda boas para fazer novos caixotes. Que precisão a do moço! Com poucas marteladas, caixote desmontado. Separa, separa e tum, tum... golpes certeiros, caixote terminado e prontinho para ser usado de novo! Vou confessar que nem lembro quanto tempo fiquei lá. Só sei que para mim não foi sacrifício algum. Pelo contrário. Fiquei ali, admirando uma pessoa muito simples e muito capaz, fazendo um trabalho aparentemente fácil (quem já pregou algum prego na vida deve saber a dor e a delícia que é... principalmente se pregar o dedo!). Só sei que ele era um craque. Fazia muito bem sua tarefa.
Fazer bem o que se propõe deveria ser a meta de todos.
Alguns, têm o dom. Outros, desenvolvem com tentativas e erros, com o tempo e com raça!
Sou profunda admiradora dos competentes - quem não é?
Isso tudo é para registrar uma despedida. Um blog que aprendi a admirar e estava aprendendo a entender foi encerrado. O Biscoito Fino e a Massa vai fazer uma falta danada!


E.T.: Recebi o dinheiro! yeah!

Foto 2: Estante de Gunter Parschaik combina caixotes e braços de ferro.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Ruim de Acertar




Quando eu cheguei no ponto de ônibus pela manhã e o "coletivo" veio imediatamente, pensei com meus preguiçosos botões:
- Alguma coisa está muito errada!
E... eu estava completamente certa.
D'xo explicar: Se a gente já mofa nos pontos de ônibus em dias normais, ditos úteis, que dirá em pleno feriado de Carnaval, em B.H. - onde 80% da população racha fora para alguma praia no mínimo 500 Km distante - e que dá pra fazer piquenique na Av. Afonso Pena!
Logo, logo, eu descobri que o supermercado onde estavam aquelas coisas todas de que eu precisava não abriu; também não abriu o outro que deveria ter pelo menos algumas daquelas coisas de que eu precisava e até mesmo o sacolão que poderia ter mínimo das coisas de que eu precisava. Atenção para o fato que mais ou menos 1 quilômetro separava um do outro e eu não ia cair na asneira de pensar que teria a mesma "sorte" do ônibus aparecer tão rápido. Foi "de a pé", mesmo.
Então, toca para casa - aí esperei mais ou menos 40 minutos para a condução passar. E dei sorte.
Mas o que é cansaço para uma cozinheira experiente que não se aperta e acha que, com um ovo, farinha de trigo, meia moranga, 5 batatas da para fazer uma massa de torta bem saborosa.
Daria, se a massa não resolvesse virar um grude que nem se eu tivesse sociedade com a Vilma soltaria da minha mão. Mas nada que uma boa untada na forma e muuuuita paciência não desse jeito. Como todos, talvez, já saibam, agora sou vegetariana. Já que o Léo e a Isabela não estão em casa (exigentes!!!) e o Frederico é muito compreensivo, o recheio da torta seria um refogado suculento com alho, cebola, berinjela, alcaparras, milho verde e algumas especiarias(os derradeiros ingredientes disponíveis na residência Tunes e Sousa). Detalhe que não pode ser ignorado: o Frederico d-e-t-e-s-t-a berinjela. Outro detalhe que não posso relegar ao esquecimento: o refogado virou uma coisa babenta e sem graça que só o Universo explica!
Comemos. Fazer o que?
Mas prometi para o Frederico que ele seria recompensado mais tarde. Foi assim que descongelei um peito de frango e levei ao fogo para cozinhar para desfiar e fazer umas coxinhas para o lanche agora da noite. Enquanto temperava o frango pensei que minhas agruras dariam um post razoável. Vim para cá escrever.
Quero deixar bem claro - são 19:19h - acabo de voltar da cozinha: o caldo em que o frango cozinhava secou, queimou, a casa está empesteada com uma fumaça horrorosa e está chovendo, portanto, não posso abrir as janelas o suficiente para esse fedor sair mais rápido.
Se, eu disse se, o telefone funcionar, vou pedir uma pizza!


sexta-feira, 4 de março de 2011

Tudo Começou num Carnaval!



Era uma vez, numa época remota na linda cidade de Belo Horizonte, então conhecida como Cidade Jardim, um rapaz muito simpático e muito noivo chamado Fábio Tunes. Acreditem, aquele descendente de italiana e português, tocava tamborim em um bloco caricato chamado Os Bocas Brancas da Floresta - o que comprova que de batuque ninguém pode tentar entender. E já que falamos de Brasil, mesmo no pacato estado de Minas Gerais, tinha chegado o Carnaval!
Naquele tempo o Carnaval tinha outra cara: a serpentina não matava, o lança-perfume só perfumava, e o verbo era brincar o Carnaval, não, se acabar. As pessoas se fantasiavam em vez de se uniformizar com os abadás da vida... Enfim (mesmo não estando no fim da história), quero deixar bem claro, o Carnaval tinha mesmo outra cara.
Nessa mesma época, havia uma mocinha muito simpática e graciosa e bonita e sapeca chamada Olga (Olguinha para os amigos) que havia fugido de casa para brincar o Carnaval (entenderam o sapeca?).
É que naquele tempo, para uma donzela ir para uma balada exigia uma operação mais ou menos complicada: tio/tia, irmão mais velho - de companhia - , vizinha implicante e fofoqueira espreitando pela janela, mocinhas à beira de um ataque de nervos planejando fugas espetaculares, pais severos que proibiam as filhas de tudo que poderia fazê-las "faladas", mães que se ajoelhavam com um terço nas mãos pedindo para a Quarta-Feira de Cinzas chegar logo, etc.
Foi assim que num suave sarau animada folia de 1960, se encontraram os nossos heróis. Ela, vestida de Peter Pan; ele, com a cara pintada de preto, boca pintada de branco, camisa listrada, por aí. Entre martelinhos de plástico, confetes e samba legítimo, começou uma paquera (ancestral da azaração) que: detonou um noivado (nosso irresponsável simpático mocinho não voltou à casa da noiva nem para dar tchau ou qualquer satisfação), um ano depois se transformou em casamento e cujo um dos três frutos lhes escreve nesse momento.
Os carnavais vieram e se foram. Inúmeros. Mas aquele foi especial. Que inexplicável e maravilhosa é a vida! De atos subversivos surgiu uma união - tempestuosa, mas união.
Eu nem sou muito chegada em Carnaval, mas posso me considerar uma filha legítima da mais brasileira das festas, sou descendente da folia!