quarta-feira, 21 de abril de 2010

Apelou, Perdeu!



Quando eu era pequenininha, o Papai costumava me chamar de "Bava". Era uma mistura do jeito que eu pronunciava meu nome, quando estava aprendendo a falar e porque eu era meio "irritadiça", digamos. Tempos depois, lá em casa, adolescente ou já adulta, me chamavam de "Nervosinha" ou "Bravinha". Muitos (põe muitos nisso) tempos depois, ou melhor, hoje em dia, o termo que me chamam é "Estressadinha". Eu fico um tanto quanto surpresa pelo espanto que isso provoca. Como poderia ser diferente? Exemplos?

A minha avó Geni, que quem leu o post dedicado a ela já conheceu um pouco, era exigente ao extremo. Quando ela fazia suas famosas e deliciosas roscas, ou pães, ou biscoitos ou bolos, ou seja lá o que fosse, que ela não considerasse, pelo menos, perfeito, as pobres quitandas (como se dizia na época) eram jogadas no quintal (chamado, terreiro) com formas, tabuleiros e Cia.Ltda. O meu avô, com toda a paciência ia lá catar o vasilhame, até a tempestade acalmar.

O Papai , dentre outras coisas, apelava que era uma beleza! Houve numa ocasião, em Glaura, uma gincana. Foi simplesmente sensacional e mesmo quando eu for bem velhinha, de bengala e aparelho para surdez, vou me lembrar com saudade. As equipes estavam muito entusiasmadas e o Papai se superou. Quem assistiu a apresentação da Branca de Neve, teve dor de barriga de tanto rir. Mas numa das provas mais disputadas, um concurso do melhor assovio, não sei como o Papai não mutilou as próprias mãos. Teve imitação de passarinho. O Alexandre (Alemão), assoviou o tema "A Ponte do Rio Kwai", o Reinaldo (Boca) assoviou também um tema muito bonito que eu não consigo me lembrar qual e acabou ganhando os pontos. E o Papai... Bem, o Papai tinha um assovio muito peculiar que ele fazia juntando as duas mãos em concha, unindo os polegares como um bocal e quando soprava, fazia uma vibração com os outros dedos. Ele era craque, até então. Naquela hora, o barulho não saía de jeito nenhum! Ele tentou, arfou, avermelhou, foi um fiasco! E aí, ele apelou. A raiva dele eu não vou esquecer nem quando for velhinha, de begala(...), etc.

Em uma das pescarias que o Papai foi, com os sobrinhos, os filhos da tia Walquíria, eles estavam num barco (não é repeteco, não - a do Juca eu já contei). De repente um deles viu uma cobra enorme (ou seria um jacaré? Sei lá) e o Rogério pegou rápido um revólver que tinha levado e começou a tentar a atirar no bicho. Porque a arma não funcionava. Ficava só mascando e tiro que era bom, nada! Ele pegava o revólver e sacudia, tremia e virava para tudo que era lado e gritava, possesso:
- Eu só não jogo essa m*rda fora porque é minha!
E o Papai, apavorado tentando, sem cair na água, sair da frente:
- Vira esse troço prá lá, pô!

Tá certo que eu poderia fazer iôga ou meditação. Mas com um pedigree desses, será que ia adiantar?


Vídeo:(http://www.youtube.com/watch?v=CB8F8g1-4Uw)

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