terça-feira, 20 de abril de 2010

Meu Primeiro Herói






Meu tempo anda meio escorregadio, esse ingrato. Quando eu assusto, os minutos passaram, as horas se foram, os dias desapareceram e o blog ficou "abandonadinho da silva". Mas como dizia aquele que inspirou esse espaço:

- Se vira, você não é quadrada!

É por isso que eu vim aqui fingir que não tem nada esperando para ser feito. O que importa é contar como passamos, eu, a Adriana, o Fabinho e a Mamãe, muitas noites envolvidos na magia do dom do Papai: ouvindo as histórias emocionantes que ele contava.
Ele era nosso livro, nosso cinema, nosso Gibi. A cama, não sei como, cabia todo mundo. Todos embolados e eletrizados. O Papai conseguia criar o clima perfeito. Contava em capítulos, herança das seções dos seriados da sua infância, no Cine Floresta.







Ele contava os detalhes.Descrevia a floresta (nesse caso, da África, mesmo), os animas, seus "barulhos", as pausas para que a gente sentisse o perigo rondando. Foi assim que conheci o Tarzan dos Macacos; Kala, sua mãe de criação; Numa, o Leão; Kerchak, o gorila; Sheeta, a pantera e Tantor, o elefante. No princípio, o Papai até foi fiel ao Edgar Rice Burroughs. Mas quando não havia mais da história original, ele viajava: misturava a selva com discos voadores, crocodilos com ETs, fazia a nossa festa e multiplicava a nossa expectativa. Quando o sono começava a vencer a luta contra o mal, o Papai interrompia o capítulo e carregava um por um para sua própria cama.Foi assim que eu comecei a admirar os animais, a ter respeito à natureza, a me encantar com as aventuras. Foi a necessidade de saber mais e mais histórias que me ensinou a ler.
O Tarzan foi o meu primeiro herói. Mas não foi o único.
Precisa falar o nome do maior deles?




Foto 1, tirei daqui: (http://us.macmillan.com/tarzanoftheapes)
Foto 2, tirei daqui: (http://www.vmcinebrasil.com.br/cine/seculo20.php)
Foto 3, acervo pessoal.

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