quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vovó Geni



Na minha infância, naquela longínqua era, tive a felicidade de conviver com os verdadeiros modelos do que hoje é só estereótipo: Vovó.
Hoje vou contar da minha avó Geni.
A legítima vovó que fazia crochê, contava histórias de assombração e preparava as roscas mais deliciosas do mundo! A vovó que cheirava a sabonete e talco de flores e cultivava um jardim mágico onde tudo floria e verdejava o tempo todo. Ela tinha um tacho gigante de cobre onde esquentava a água que despejava na banheira para eu me lavar antes de ir para a aula. Nesse mesmo tacho ela preparava os doces de leite, as compotas e as caldas douradas. A vovó Geni tinha no quintal cachorro e goiabeira e macieira e pé de romã. No Natal, temperava o pernil mais suculento e promovia um mutirão ao redor de si que transformava trabalho em alegrias. A vovó Geni me contava, quando eu chegava da escola (que se chamava grupo escolar) que, pelo auto falante, me ouvira cantando muito lindamente a música que eu ensaiara o mês inteirinho!
Eu tive uma avó que escutava, pelo rádio, a Hora do Angelus e rezava pelas pessoas que amava. Ela tinha os sapatos e as roupas mais limpas da face da Terra e o alpendre mais brilhante. A Vovó punha forrinhos nos móveis e sobre eles, bibelôs. Tinha um chiqueiro que vivia limpinho e cheirava a creolina. Ela recebia as vizinhas, trocava receitas, conselhos e amizade: D. Clary, D. Zeca, D. Maria, D. Conceição das Vacas...
E pensar que, hoje em dia, as vovós pilotam motos, usam piercings e fazem pós graduação!


Foto: Acervo pessoal.

Um comentário:

  1. Lembranças da vovó, do quartinho de passar roupa (e de guardar trecos), da Maria, das historias de lobisomem, das brincadeiras com os sapatos da tia Vera, das amostras gratis do Tonico. Tempo bom que nao volta mais...

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